quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Jardim Jupira: uma heterotopia (*) do medo iguaçuense


As fronteiras nacionais são fenômenos bem mais complexos, não se resumem a limites, divisas, tratados diplomáticos, nem podem ser simplificados como o lugar do narcotráfico e do contrabando. Não existe a fronteira em abstrato, o que existem são situações sociais e singulares de fronteiras. Alguns fenômenos podem ser generalizados para outros contextos fronteiriços e outros são específicos de uma dada configuração social. (ALBUQUERQUE, 2010, p. 42).

            A cidade de Foz do Iguaçu limítrofe com os países do Paraguai e Argentina, possui população estimada em 263.915 habitantes, de acordo com dados do IBGE 2016. A construção da Ponte da Amizade que interliga Foz do Iguaçu no Brasil e Ciudad del Este no Paraguai, nas décadas de 1950-1960 significou um marco nas relações socioculturais e econômicas de ambas cidades.
             A difundida imagem da cidade de Foz do Iguaçu enquanto local turístico por causa das Cataratas das últimas décadas está atrelada à construção da empresa binacional Usina de Hidrelétrica Itaipu entre 1975 e 1982. De acordo com Aparecida Darc de Souza, docente na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, a construção, foi responsável pela alteração da estrutura urbana e da dinâmica social e econômica local, fator que promoveu uma rápida urbanização espacial (SOUZA. 2009; P.79).
            A não planejada urbanização resultou na configuração de espaços de ‘centrais’ e ‘periféricos’, atrelados aos aspectos econômicos e as delimitações sobre quem os ocupariam. Ao propor o estudo dos autores Gonzalez e Hasenbald (1982) considero a  analogia que fazem entre as condições atuais de vida da população negra nas periferias, e o passado vivenciado no estigma das senzalas. Assim, as favelas teriam sucedido as senzalas, e sempre nas margens, ou em regiões periféricas do centro, lá estão os “negros e seus locais”.
            O “lugar de negro” no tempo colonial correspondia ao não lugar do senhor – ou seja, à senzala, à cozinha ou o local de produção. Nas sociedades atuais esses espaços se converteram nas cidades dormitórios, favelas, fábricas escuras, mas é dentro das prisões, hospícios e cemitérios que a exclusão nega a esses sujeitos suas faculdades políticas (Gonzalez, L; Hasenbald,C. 1982 P15-16).
            O bairro do Jardim Jupira, ou favela do bolo como é conhecido, é um espaço periférico na sociedade iguaçuense, facilmente associado ao tráfico e ao comércio ilegal de mercadorias. Dada a proximidade com a Ponte da Amizade, não é apenas um local do encontro do nacional e internacional; mas é um local criado sobre o imaginário do medo, da violência e do perigo. Dessarte, os residentes desta fronteira sendo eles, imigrantes, indígenas ou negros pobres, estão a margem também das politicas eugênicas e xenofóbicas proposta pelo Estado. Os discursos midiáticos corroboram na  (re)produção da heterotopia do terror atrelado ao espaço.
            Também podemos considerar a relação entre centro e periferia enquanto um pensamento abissal da modernidade que pode ser traduzido pelo que chamou Boaventura de Souza Santos (2007) de dois universos destino, no qual a realidade estaria divida por linhas radicais. Contudo, essas linhas consistem num sistema de distinções visíveis e invisíveis, sendo que as invisíveis fundamentam as visíveis (SANTOS. 2007; P.1).
            O silêncio que continua sendo entendido estatalmente como cumplicidade, embora simbolize também um intento de seguridade interna e externa dentro da periferia. O Estado, por vezes, é o maior repressor nesses espaços. A realidade na periferia segue marcada pela frase que nos deixou o cantor e compositor Sabotagem: ‘a maior malandragem da vida é viver’.
            Como Albuquerque (2010, p. 42) bem exemplifica, fronteira não pode deve ser entendia apenas como delimitação territorial, e tampouco reduzida ao local do ilícito. Assim sendo, as linhas geográficas naturais ou criadas, não delimitam apenas os pertencimentos estatais no caso da região da Tríplice Fronteira, mas atuam como um sistema de divisões invisíveis, que quando baseadas em estereótipos; fundamentam a recusa do tido ‘outro’ seja ele internacional ou nacional.

(*) NOTA: Heterotopia, conceito foucaudiano usado para se referir aos locais sobre os quais são projetados características duais, por vezes antagônicas.  Texto base do conceito -FOUCAULT, Michel. Outros espaços. Ditos e escritos, v. 3, p. 411-422, 2001.

Referências:
ALBUQUERQUE, José Lindomar C. A dinâmica das fronteiras: os brasiguaios na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. São Paulo: Annablume, p. 33-58, 2010.
GONZALEZ, Lélia; HASENBALG, Carlos Alfredo. Lugar de negro. Editora Marco Zero, 1982.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. Novos estudos-CEBRAP, n. 79, p. 71-94, 2007.
SOUZA, Aparecida Darc de. Formação econômica e social de Foz do Iguaçu: um estudo sobre as memórias constitutivas da cidade (1970-2008). 2009. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.


Raquel Santos Souza, Graduanda do curso de História - América Latina pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Filme histórico: fonte histórica e seus tipos, por Gabriel Antônio Butzen

O filme se constitui como um artefato culturas de extremo contato com a sociedade atual. Marc Ferro (1992) diz que todo filme que é produzido em um determinado tempo é uma fonte histórica, que pode ser analisada como tal. Ou seja, analisar o contexto de sua produção, a data que o filme foi realizado e as pessoas que participaram de sua construção. Outros estudos (SOUZA, 2012) também apontam que a narrativa fílmica também é importante para o estudo da história (mais especificamente, do ensino de história). É baseado nesses estudos que podemos classificar os tipos de filmes históricos.
Em resumo, podemos definir três tipos de filmes históricos (SOUZA, 2012):

1.    Filme Histórico que narra um fato histórico.  O filme, nesse caso, tem a intenção de narrar um fato no passado que “realmente aconteceu”, contando a história objetiva do passado.
 

O filme “O Jovem Marx” (2016) é um exemplo de filme que narra um fato histórico (Extraído: http://cinecartaz.publico.pt/Filme/371697_o-jovem-karl-marx. Acesso em: 15/10/2017).

2.    Filme Histórico que recua ao passado. Aqui o filme usa um tempo histórico, uma data, como “pano de fundo” para uma narrativa ficcional do passado. Assim é uma história inventada que se passa em um tempo histórico.


O filme “Pra Frente Brasil!” (1982) é um exemplo de filme que recua no passado para narrar uma história ficcional. (Extraído: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pra_frente,_Brasil. Acesso em: 15/10/2017).

3.    Filme Histórico de “cultura de massa”. Esse filme pode ser tanto um filme histórico ou um filme que recua ao passado, mas sua maior característica é a de estar presente para o “grande público”, como cinemas e televisão. Pois muitos filmes históricos tem a característica de ser “cult”, pertencer a um grupo mais fechado de espectadores.

O filme “Dunkirk” (2017) pode ser caracterizado como filme histórico de fato histórico, mas teve relativo sucesso e foi exibido nos cinemas, podendo ser também um filme de “cultura de massa”. (Extraído: http://www.imdb.com/title/tt5013056/. Acesso em: 15/10/2017).

Saber a diferença entre esses tipos de filmes abre um leque maior de possibilidades de estudos históricos com essas fontes históricas. Um exemplo é como uma determinada sociedade do passado lidava com filmes históricos, qual tipo de filme essa sociedade mais assistia? Ou no ensino de história e filmes, analisando qual a recepção dos estudantes de um filme histórico em comparação com outros tipos de fontes históricas (como livros, imagens, esculturas). Saber essas categorias pode contribuir para a pesquisa acadêmica.

Referências:

FERRO, Marc. Cinema e História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
SOUZA, Éder C. de. O Uso do Cinema no Ensino de História: Propostas Recorrentes, Dimensões Teóricas e Perspectivas da Educação Histórica. Escritas. Araguaiana, v.4, p.70-93, mar. 2012.


Autor: Gabriel Antônio Butzen, estudante de História – Licenciatura – UNILA.

Revisão: Pedro Afonso Cristovão dos Santos

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Postagens em espanhol

O blog retoma essa semana a tradução de nossas postagens para o espanhol: apresentamos La preservación de archivos digitales e El presentismo: ¿vivimos en un "presente omnipresente"?, traduzidos por Mariela Raquel Melgarejo López, bolsista do blog em 2016, e a poesia de Tarcísio Queiroga ¡Sin nombre! Porque algo sin nombre no tiene un dueño, traduzida por Valentina Vásquez Arango, com revisão de Marcella Vieira. Deixamos os links abaixo, e seguiremos nas próximas semanas com traduções e postagens inéditas. Boa leitura!





Prof. Pedro Afonso Cristovão dos Santos

¡Sin nombre! Porque algo sin nombre no tiene un dueño.

Actualmente el capitalismo está apático,
Después de la colonización
Europeos y su sistema jerárquico.
Colonialidad del ser y del saber
Todo harina del mismo bulto.

Bajo las entrañas de la ganancia,
Bañada de oro y sazonada de arrogancia.
Atacaron a Síria respondieron con terror en Francia.
En 1998 levantaron la copa del mundo,
Antes de 1492 no existía la idea de raza .
Mis ojos se entristecen en medio de tanta desgracia,
Cuál es su válvula de escape?
Unos optan por súplicas al cielo,
Ya yo juego en el equipo de la cachaza.

Aquellos que no valorizan los reales valores
Colocan en todo un precio,
Y todavía se consideran vencedores.
Llegaron de manera naval,
Estandarizando y vendiendo la idea de lo que es ser normal.
Mataron para imponer un concepto,
Hasta hoy muchos flotan en las olas de los preconceptos.
Epa! En este juego caímos del balancín,
Inferiorizados por la jerarquización colonizadora.

Ahí,  sin maldad!
Tecnología,  progreso y civilidad,
Trajeron la idea de propiedad.
Resistió, vaciló y el rey ya firma,
Derraman las lágrimas nativas,
El orden garabateado con una pluma
Provocando demasiada masacre.

Rótulos en los potes de estereotipos
Silencio en el set, cámara acción, zoom
Actualmente algo común en el país del bumbum,
Tarcísio Quieroga desde 1991,
Surfeando por las venas abiertas de América Latina
Fruto de glorias y carnicerías
Flechas, polvora y un poco de glicerina,
Conquistadores bajo imperios de cocaína,
Indígenas subyugados por los portadores de sotanas.

El tal intercambio cultural,
Algunas veces se dá de forma brutal,
12 de octubre de 1492
No me gustó,  pero no se puede cambiar de canal.
2016 se devoran por el pré-sal
La batalla de los hambrientos dentro de algún tribunal

Así, más una vez resalto,
América pasó el mayor asalto
Realmente aquí la comedia no fue tan divina,
Pues, mientras Europa retrocede la tropa,
Y el tiempo no retorna,  
El poder cambia de mano,
AlI right, “MAYDAY,MAYDAY” Tío Sam en la misión,
Boom! Iraq en la mira del cañón,
Violencia genera violencia, agresión genera agresión
Puede anotar, pues la naturaleza va a cobrar
Con permiso! Ya está pasando el huracán Katrina
En aquellos que lanzaron la bomba de Hiroshima
Haciendo del mundo lo que bien entienden,
Literalmente tirándonos a la letrina.

Tarcísio Queiroga

Traducido por: Valentina Vásquez Arango

Revisado por: Marcella Vieira



La preservación de archivos digitales

Comentamos, en el post ´´La formación y preservación de archivos y la escrita de la historia´´, proyecto de ley en Brasil que prevé la destrucción de documentos después de su digitalización. La propuesta sugiere noción de seguridad al respecto de los archivos digitales que, por el momento todavía está lejos de ser realidad. El registro en forma digital no posee, por ahora, la garantía de longitud que podríamos esperar. Incendios, robos, deterioraciones, pueden destruir papeles y documentos físicos; pero otros tipos de peligros envuelven los documentos digitales, y su preservación para el futuro permanece como una cuestión compleja para archivadores e historiadores.
Los archivos digitalizados y los archivos ya ´´nacidos´´ digitales, como el e-mail, colocan problemas a esos especialistas en cuanto a su preservación desde los años 1980 y 1990. La fragilidad de esos registros se destaca: un libro antiguo puede tener una parte damnificada (algunas páginas, por ejemplo), en cuanto a los archivos digitales, en muchos casos, cuando son damnificados, se pierden por completo. Un problema más debe ser agregado: la cuestión de la legibilidad del archivo preservado. La constante actualización de los programas, los software y hardware, hace que los archivos preservados en medios antiguos se vuelvan ilegibles después de algún tiempo. La tecnología necesaria para acceder a ello deja de existir. Actualmente se piensa y (se practica) inclusive una nueva forma de arqueología, regresada para recuperar esos datos: la arqueología digital. 
Además, muchos archivos digitales, como páginas de la web, están en lenguajes de hipertexto, poseen camadas de información (como los links, que conectán una página a otra, como por ejemplo la interface de nuestro blog). Imprimir paginas o preservarlas, envuelve la dura tarea de preservar también esos links. Eso sin mencionar las cuestiones legales y éticas comprendidas en la preservación de archivos digitales, tales como los problemas de los derechos autorales.
Esto es apenas una pequeña recopilación de los problemas relacionados a la preservación de los archivos digitales o digitalizados, que nos lleva a mirar con mucha cautela propuestas de destrucción de documentos físicos. Aquí tratamos sólo cuestiones ´´técnicas´´ relativas a la preservación, pues la destrucción de archivos envuelve también graves cuestiones éticas. Dejamos a nuestros lectores un link para el documentario Into the Future (1998), de Terry Sanders, subtitulado en portugués, que, todavía en los inicios del internet, apuntó gran parte de los problemas de la preservación de documentación digital, muchos de ellos todavía inquietantes.



Prof. Pedro Afonso Cristovão dos Santos

Traducido por: Mariela Raquel Melgarejo López

Revisión: Pedro Afonso Cristovão dos Santos

El presentismo: ¿vivimos en un "presente omnipresente"?

Discutimos en el blog las posibilidades de una historia del tiempo presente. Esa discusión evoca una mirada sobre nuestro presente. La atención a la historia del tiempo presente sería un indicio del peso que el presente ejerce hoy, en detrimento del pasado y del futuro, ¿en nuestra experiencia del tiempo?  ¿Estaríamos viviendo una época marcada por el presentismo?
El presentismo, concepto trabajado por el historiador francés François Hartog, remite a un régimen de historicidad, especifico de nuestro momento histórico. Regímenes de historicidad, a su vez, son categorías analíticas, instrumentos que el/a historiador/ra puede utilizar para pensar la experiencia del tiempo de cada época especifica (como destaca Hartog, presentismo es una hipótesis, y régimen de historicidad, el instrumento para examinarla, “y ambos se completan mutuamente’’, HARTOG, 2014, p. 11). Aproximándose de las reflexiones del historiador alemán Reinhardt Koselleck, Hartog delinea la presencia de regímenes de historicidades específicos en el Occidente. Hasta el final del siglo XVIII, a grueso modo, la experiencia del tiempo occidental privilegiaría el pasado. Del pasado, de la historia, sacaríamos las lecciones y orientaciones para nuestra vida en el presente, y el futuro presentaría apenas algunas modificaciones de las mismas experiencias ya vividas. Se concebía a la naturaleza humana como esencialmente inmutable, por lo tanto, causas y motivaciones semejantes generarían eventos semejantes. El paso del siglo XVIII al siglo XIX, eventos como la Revolución Francesa traería un cambio en esa experiencia del tiempo: el futuro se convirtió en la instancia de referencia. El pasado pasó a ser visto como radicalmente diferente del presente, incapaz de enseñar algo, y el presente, como un tiempo de transición, en dirección al futuro, al progreso, el lugar de referencia para nuestras acciones, planes y expectativas.
Los eventos del final del siglo XX, inicio del siglo XXI, sin embargo, habrían cambiado nuevamente nuestra experiencia del tiempo. El fin de la Unión Soviética y del socialismo realmente existente, y un creciente pesimismo con relación al liberalismo y al capitalismo, hizo que el futuro dejase de ser visto como objetivo de nuestras esperanzas, y pasase a ser encarado con miedo, como la perspectiva de una catástrofe climática y ambiental nos muestra. Por otro lado, el pasado continúa incapaz de ofrecernos lecciones, pues seguimos viéndolo como un tiempo radicalmente diferente del nuestro. Lo que viviríamos actualmente, según esa hipótesis, sería una especie de ´´largo presente´´ sin volvernos hacia el futuro, y tampoco hacia el pasado.
El presentismo (neologismo inspirado en ´´futurismo’’), ese ‘’presente omnipresente’’ en el cual vivimos (HARTOG, 2014, p. 14), seria marcado tanto por una experiencia de constante aceleración del tiempo, como de estancamiento, de ausencia de horizontes:

De un lado, un tiempo de flujos, de la aceleración de una movilidad valorizada y valorizante; por otro, (…) la permanencia de lo transitorio, un presente en plena desaceleración, sin pasado – sino de un modo complicado (más todavía para los inmigrantes, los exiliados, los desalojados), y sin futuro real tampoco (el tiempo del proyecto no está abierto para ellos). El presentismo, así puede, ser un horizonte abierto o cerrado: abierto para cada vez más aceleración y movilidad, cerrado para una sobrevivencia diaria y un presente estancando (HARTOG, 2014, p. 14-15).

De ese modo, ese presente es marcado, tal vez, por una paradoja: aceleración del tiempo y movilidad constantes, mudanzas a todo momento; mudanzas, sin embargo, que no llevan a un futuro proyectado, solo a más mudanzas. Un presente que deja de ser transición para el futuro y se vuelve en un estado de constante cambio y precarización. Las seguidas actualizaciones tecnológicas, la obsolescencia programada y el desecho de lo que se vuelve cada vez más rápidamente ultrapasado, serian evidencias del régimen ‘’presentista’’. A eso se le suma, apunta Hartog, la visión de un ‘’futuro percibido, no más como promesas, sino como amenaza; sobre la forma de catástrofes, de un tiempo de catástrofes que nosotros mismos provocamos’’ (HARTOG, 2014, p. 15). Hartog usa también el ejemplo de las ciudades actuales, a partir del concepto de junkspace, formulado por el arquitecto holandés Rem Koolhaas habla en ‘’ciudades genéricas’’, ciudades sin historia (aunque preserven paseos históricos por algunos barrios específicos), en procesos constantes de ‘’autodestrucción y renovación local, o entonces en una precariedad habitacional ultrarrápida’’ (HARTOG, 2014, p. 15). Barrios en seguidos procesos de valorización y desvalorización marcan la dinámica de las ciudades actuales. Los aeropuertos serian la expresión máxima de esas lógicas, espacios de las escaleras mecánicas y del aire acondicionado, en constantes expansión y renovación. 

Interior del aeropuerto de Foz de Iguazú en 2010 (imagen extraída de  http://jie.itaipu.gov.br/node/42951, acceso en 01/06/2017)

Por tanto, se debe resaltar, el carácter conceptual de los ‘’regímenes de historicidad’’, como dijimos más arriba. Son instrumentos para ayudar al historiador a pensar en una época y su relación con el tiempo, hipótesis de trabajo, no evidentes en sí. Por otro lado, como destaca Mateus Pereira (PEREIRA, 2011, p. 63), es necesario notar la posibilidad de coexistencia de diferentes regímenes de historicidad. El presentismo sería, entonces, no el único, pero el principal de los regímenes de nuestra época, conviviendo con otras experiencias del tiempo.
Considerando el presentismo como hipótesis, ¿que nos diría ese régimen sobre el lugar de la historia en las sociedades actuales? Las reflexiones sobre la historia ¿que importancia tiene en un presente que se comprende diferente del pasado, pero sin ser una transición para el futuro?

Referências bibliográficas:

HARTOG, François. Regimes de historicidade: presentismo e experiências do tempo. Tradução de Andréa S. de Menezes, Bruna Breffart, Camila R. Moraes, Maria Cristina de A. Silva e Maria Helena Martins. Belo Horizonte: Autêntica, 2014.
PEREIRA, Mateus Henrique de Faria. “A história do tempo presente: do futurismo ao presentismo?” Humanidades, no. 58, junho de 2011, p. 56-65.

Prof. Pedro Afonso Cristovão dos Santos
Traducido por: Mariela Raquel Melgarejo López
Revisión: Pedro Afonso Cristovão dos Santos

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

"Materiais educativos, uma experiência de produção e aplicação no contexto boliviano''

No dia 29 de agosto de 2017  a disciplina de Tópicos Especiais em Estudos Culturais, ministrada pela professora Mirian Oliveira do curso de História - América Latina, realizou uma aula aberta com o professor Leonardo Martinez, professor visitante do curso de Antropologia da UNILA, com o tema: "Materiais educativos, uma experiência de produção e aplicação no contexto boliviano''. 
O professor Leonardo apresentou uma proposta inovadora no campo da educação, em um projeto interdisciplinar que focava a produção de materiais didáticos para alunos de escolas públicas na Bolívia. O material contava com recursos variados, desde diferentes mídias, testemunhos em áudio, vídeo clipes, textos e fotografias. A metodologia aplicada a este recurso contava com três estágios com uma pré-produção com consultas bibliográficas, visitas preliminares às comunidades, a produção com a realização de entrevistas, gravações e fotografias e a pós-produção com transcrições e traduções. Os materiais educativos  eram intra e interculturais.
No decorrer da aula aberta o professor Leonardo apresentou a história do sistema educacional na Bolívia, abordando questões problemáticas desde a implementação, os processos inovadores como o Ayllu Warisata (1931-1941) que a grosso modo tinha propostas de uma escola sem horário para os alunos, sem  provas e bilinguismo. No entanto, este processo não foi tão eficiente devido ao fato de que a inclusão do indígena consistia no abandono de sua própria cultura, no qual as próprias comunidades começaram a considerar sua língua e cultura atrasada, demonstrando a base eurocêntrica desse tipo de educação desigual.
Na década de 90, com a entrada das políticas neoliberais houve um novo processo de tentativa de incluir os indígenas na educação boliviana, processo associado ao contexto internacional da época em que a questão étnica entrou em debate. Com isso houve a implementação do sistema de educação intercultural bilíngue – EIB.  Na reforma educativa de 1994, foi produzido um material de educação bilíngue, porém a produção foi feita fora do contexto boliviano, sem utilizar a própria comunidade indígena no processo de criação. Nesse contexto, a ideologia neoliberal trouxe alguns aspectos positivos no que diz respeito ao trato do estado com as populações indígenas, deixando de ter um trato paternalista, com a criação de leis de descentralização do estado, participação popular, dos municípios, serviço nacional de áreas protegidas e reformulação de leis agrárias, esta última com aspectos negativos e aspectos positivos para as comunidades, lei florestal e titulação de terras indígenas.
Em 2010 houve a criação da Lei Sinani Perez 2010 onde a proposta era a educação intracultural, intercultural e plurilingue, passando de EIB para EIIP. Houve uma valorização dos saberes e conhecimento locais e língua originária. Um viés descolonizador e comunitário, uma proposta de igualdade de oportunidades e o resgate de línguas em extinção. Houve o abandono do paternalismo, da visão exótica em relação aos indígenas, o desenvolvimento de materiais didáticos com as próprias comunidades.
Com a abertura do debate ao final da aula aberta foi discutido a importância do material didática com a proposta intra e intercultural, problematizando esses dois conceitos no qual se presumiu que uma proposta intracultural era fundamental para assumir a cultura local que foi estereotipada por décadas e desvalorizada devido ao eurocentrismo que permeou a sociedade, e intercultural para que as culturas realmente dialoguem entre si, não de forma plenamente harmoniosa, mas incluindo os conflitos, pois este processo intercultural constitui uma relação dialética entre as culturas.


Rodrigo Ishihara Abranches

Revisão: Pedro Afonso Cristovão dos Santos