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“Se for, vá na paz”: Bacurau, solidariedade e a insubmissão dos povos marginalizados.

Fachada do museu de Bacurau. Disponível em: < https://revistarosa.com/1/ bacurau-a-proposito-de-sangue- mapas-e-museus >. Acesso em: 21 mai. 2026.   No ano de 2026, o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho vivenciou o ponto mais alto de sua carreira com as indicações ao Oscar do filme “O agente secreto”. Todavia, essa não foi a primeira vez em que um lançamento de Kleber estimula discussões e alcança grande repercussão midiática. Se em “O Agente Secreto”, ele percorre a Recife de 1977 para abordar a perseguição da ditadura militar brasileira executada contra o professor universitário Armando, no filme Bacurau , lançado em 2019 e pelo qual ganhou o prêmio do júri no Festival de Cinema de Cannes, ele busca evidenciar a luta pela sobrevivência de uma comunidade que vive isolada no sertão nordestino. Em Bacurau , o povo mostra que não está fadado às mesmas tragédias que vitimaram seus antepassados. Consciência que o Brasil de hoje necessita aprender. A história do filme gira...
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“BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO”: JUSTIÇA, VIOLÊNCIA E O OFÍCIO DO CARRASCO NA PRIMEIRA MODERNIDADE (XV-XVIII)

          A figura do carrasco ocupava uma posição ambígua nas sociedades europeias da “primeira modernidade”, fase de transição gradual situada entre o declínio das estruturas feudais medievais e as profundas transformações políticas e sociais associadas à Revolução Francesa. Apesar de desempenhar função essencial na aplicação da justiça régia e na preservação da ordem pública, o executor permanecia vinculado à desonra e à exclusão social. Sua atuação tornava perceptível o caráter coercitivo do poder estatal, evidenciando diante da população os limites entre a autoridade legítima e a criminalidade. O crescente interesse historiográfico pelas práticas punitivas e pela história da violência contribuiu para ampliar os estudos acerca destas temáticas até então periféricas. Obras como Carrascos de Paris: a dinastia dos Sanson , de Bernard Lecherbonnier (1942-), e Hangmen of England , de Brian Bailey (1936-2025), ambas publicadas em 1989, contribuíram para deslo...

EDUCAÇÃO E RESISTÊNCIA: ENFRENTANDO O NEGACIONISMO NO ENSINO DE HISTÓRIA

   Fonte: Desinformação se espalhando rapidamente por meios digitais. Créditos da imagem: skypicsstudio/Adobe Stock. Reprodução: UNESCO. Disponível em: https://school-education.ec.europa.eu/en/discover/news/role-history-education-countering-disinformation-and-encouraging-civic-engagement      O ensino de História no Brasil enfrenta hoje um desafio que vai além de despertar o interesse dos estudantes. Em tempos de redes sociais, circulação rápida de desinformação e ataques às ciências humanas, o professor precisa reafirmar a legitimidade da História como ciência. O negacionismo aparece quando fatos historicamente comprovados, como ditaduras, racismo estrutural ou o Holocausto, passam a ser tratados como simples “opiniões” ou versões equivalentes.      Nesse cenário, a missão do professor de História se torna mais difícil. Além de ensinar conteúdos, ele precisa explicar que o conhecimento histórico não se baseia em achismos, mas em fontes, métodos,...