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Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu: possibilidades de pesquisa

https://museudaimprensafoz.com.br/ No dia 26 de novembro de 2025, em um evento realizado no Mercado Público Barrageiro, a cidade de Foz do Iguaçu viu o lançamento do Museu da Imprensa, um acervo online que contém, segundo os organizadores, 21 periódicos iguaçuenses digitalizados e com acesso aberto à comunidade. A iniciativa, realizada pela Associação Guatá - Cultura em Movimento, é um passo importante na preservação e na popularização de documentos históricos que podem nos permitir entender melhor a história da própria cidade e da tríplice fronteira. O acervo contempla produções que datam de 1953 a 2018, e abre caminho para diversas possibilidades de estudo destes materiais. A imprensa é um tipo de fonte riquíssima para os historiadores, pois revela, muitas vezes, elementos das sociedades que vinham ao público através dos jornais e das revistas. Mais do que informar, a imprensa forma opiniões, reforça narrativas e preconceitos e transmite ideias. Quem nunca escutou que veículo de comu...
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A Necropolítica em "7 Cajas": Uma Análise da Denúncia Social no Cinema Paraguaio

  Cena do filme '7 Cajas' (2012).O peso do desconhecido: Victor e o fardo das sete caixas que prometiam uma saída, mas trouxeram o perigo. No labirinto do Mercado 4, cada passo é uma negociação entre a vida e a morte Na filosofia contemporânea o pesquisador Achille Mbembe, em sua obra, conceitualiza um fenômeno o qual denomina através do termo “ Necropolítica”, que descreve o poder de decidir sobre quem deve viver e quem pode ser abandonado à morte. (MBEMBE, 2018) É o poder passivo do soberano, aqui representado através do Estado. Outro processo intimamente relacionado à Necropolítica é o capitalismo. Durante a colonização, o corpo humano tornou-se o primeiro objeto de apropriação capitalista, sendo transformado em mercadoria para sustentar sistemas de exploração e acumulação. Esse processo inicial resultou na escravização e exploração de populações marginalizadas, criando uma hierarquia racial econômica que se perpetua até os dias atuais. No contexto contemporâneo, essas m...

Após as bombas, haverá um 13? Desabafos de uma venezuelana migrante

            Hoje não tem clareza na minha sala. Deixei fora a luz de um dia ensolarado para me recolher nos cinzas de um dia de ressaca existencial. O corpo doe, o peito interrompe o ar e um zumbido de múltiplas vozes me atordoa. Y talvez nessa densa névoa, carregada de ruido e de emoções sem nome, as palavras que não enxergo aconteçam e me permitam esboçar o andaime que organize o turbilhão de sentimentos, reflexões, pulsões e memórias que me atinge após as notícias que recebi do meu país assim que acordei ontem, bem cedo pela manhã. Eram às 06h quando meu telefone ligou e começaram a chegar centenas de mensagens. No grupo da minha família paterna, as primeiras mensagens foram às 02 horas e pouco da madrugada. Nelas, transparecia a surpresa. Falavam de sons de foguetes, de trovões, de impactos de bomba, de queda de luz. Ninguém entendia nada, e eu menos. Alguns falavam em golpe de Estado, outros em atentado e, aos poucos, começaram a falar em bombard...

A multidimensionalidade na migração de retorno de brasileiros e brasileiras do Paraguai (1970-2020)

  Fonte: Editora Acervus, 2025. O livro A multidimensionalidade na migração de retorno de brasileiros e brasileiras do Paraguai (1970-2020) é fruto da minha tese de doutorado, defendida pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, em agosto de 2024. A obra trata de um tema central nos estudos migratórios: o retorno. Este, mesmo sendo parte integrante da dinâmica da migração, é pouco estudado. Sendo assim, com base em amplo referencial teórico e trabalho de campo, visa-se demonstrar as múltiplas formas e causas da migração de retorno. Em termos teórico-metodológicos, trata-se de um estudo dos movimentos migratórios contemporâneos a partir do uso da história oral. A tessitura do corpus documental da pesquisa constituiu-se de entrevistas aprofundadas, que buscaram reconstituir trajetórias de vidas e de migrações, recolhidas entre migrantes retornados e retornadas, situados e situadas na fronteira entre os dois países no estado do Par...

CONTRA A MARÉ DO ESQUECIMENTO: PIRATARIA E A INVISIBILIZAÇÃO AFRICANA NA INGLATERRA MODERNA

  Xil ogravura retratando o pirata Henry Avery e o seu criado, publicada em A general history of the robberies and murders of the most notorious pyrates , Charles Johnson (1724) A crença de que os antigos africanos não possuíam capacidade para realizar travessias marítimas não apenas revela preconceito, mas também um profundo desconhecimento histórico. Por volta de 2600 a.e.c., os egípcios já construíam embarcações de grande porte e dominavam a construção naval, o comércio e a guerra marítima. A crescente demanda por estanho, indispensável para a produção de armas e utensílios de bronze, levou faraós como Sesóstris I e Tutmés III a organizarem expedições marítimas às regiões setentrionais da Europa. Suas embarcações, feitas de papiro ou madeira costurada, possuíam estrutura flexível, capaz de resistir a tempestades, o que as tornava aptas para enfrentar o mar aberto. O uso combinado de remo e vela permitia a navegação mesmo na ausência de vento, evitando que ficassem à deriva. Va...