A figura do carrasco ocupava uma posição ambígua nas sociedades europeias da “primeira modernidade”, fase de transição gradual situada entre o declínio das estruturas feudais medievais e as profundas transformações políticas e sociais associadas à Revolução Francesa. Apesar de desempenhar função essencial na aplicação da justiça régia e na preservação da ordem pública, o executor permanecia vinculado à desonra e à exclusão social. Sua atuação tornava perceptível o caráter coercitivo do poder estatal, evidenciando diante da população os limites entre a autoridade legítima e a criminalidade. O crescente interesse historiográfico pelas práticas punitivas e pela história da violência contribuiu para ampliar os estudos acerca destas temáticas até então periféricas. Obras como Carrascos de Paris: a dinastia dos Sanson , de Bernard Lecherbonnier (1942-), e Hangmen of England , de Brian Bailey (1936-2025), ambas publicadas em 1989, contribuíram para deslo...
Fonte: Desinformação se espalhando rapidamente por meios digitais. Créditos da imagem: skypicsstudio/Adobe Stock. Reprodução: UNESCO. Disponível em: https://school-education.ec.europa.eu/en/discover/news/role-history-education-countering-disinformation-and-encouraging-civic-engagement O ensino de História no Brasil enfrenta hoje um desafio que vai além de despertar o interesse dos estudantes. Em tempos de redes sociais, circulação rápida de desinformação e ataques às ciências humanas, o professor precisa reafirmar a legitimidade da História como ciência. O negacionismo aparece quando fatos historicamente comprovados, como ditaduras, racismo estrutural ou o Holocausto, passam a ser tratados como simples “opiniões” ou versões equivalentes. Nesse cenário, a missão do professor de História se torna mais difícil. Além de ensinar conteúdos, ele precisa explicar que o conhecimento histórico não se baseia em achismos, mas em fontes, métodos,...