Capa de Barrio Palestina Em minha primeira ida a Asunción em dezembro de 2010 ou 2011 – não me recordo exatamente –, uma inscrição em uma parede me chamou a atenção: “Con ese calor no se pude pensar, Nietzsche”. A inscrição parecia ter sido feita naquele dia, pois fazia muito calor naquele verão assunceno. O riso imediato provocado por aquele exemplar de humor paraguaio quebrou momentaneamente o cansaço. Ainda não sabia que estava diante de uma representação recorrente sobre o país, como se observa no romance Barrio Palestina (2024), da escritora paraguaia Susana Gertopán, nascida em Asunción em 1956. O romance tem um fundo biográfico. O livro conta a história de Móishele e sua família. Como judeus, se veem obrigados a sair da Polônia antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e migram para o Paraguai para fugirem do avanço do nazismo sobre a Europa. História similar marcou a família de Gertopán. O romance é narrad...
Elaboração própria (2026). Toda escola tem um jeito próprio de funcionar. Tem escola em que os estudantes circulam com mais liberdade, conversam mais com os professores e participam das decisões. Tem escola em que tudo é mais rígido, silencioso e controlado. Tem escola em que o grêmio estudantil é valorizado. Tem escola em que qualquer tentativa de organização dos alunos já é vista como problema. Nada disso acontece por acaso. É aqui que entra uma ideia importante para quem estuda educação: a cultura escolar. De modo simples, cultura escolar é o conjunto de normas, práticas, valores, rituais, símbolos e formas de comportamento que organizam a vida dentro da escola. Ela aparece no currículo, nas regras de convivência, no uniforme, nas filas, nos horários, nas punições, nas festas, nos murais, nas reuniões, nos conselhos de classe e até na maneira como professores, estudantes, direção e funcionários se tratam no cotidiano. A cult...