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Interseccionalidade, Gênero e Deficiência.

     Elaboração Própria (2026) No modelo econômico capitalista e neoliberal, a perspectiva da individualidade e da funcionalidade são hegemônicos para manutenção do mercado e da força de trabalho barata. Pensando nos diferentes modos de ser e estar no mundo, muitos grupos são discriminados e excluídos socialmente, por não se enquadrarem na velocidade ou não atenderem as demandas necessárias do capital para a expansão de lucros das classes dominantes. Dentro desse debate, pensa-se na perspectiva da interseccionalidade de classe, raça, gênero, idade e deficiência, para analisar grupos sociais marginalizados que constantemente são violentados pela estrutura capitalista vigente. A padronização dos corpos categorizados como “eficientes” dá forma as estruturas capacitistas e “desqualifica as pessoas com deficiência e pessoas intersexo, travestis, transexuais, as crianças e os adolescentes.” (MOREIRA et al., 2022, p. 02). Desta forma, é de suma importância enquadrar o debate de ...
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O país com cheiro de fruta madura: representações sobre o calor no Paraguai em Barrio Palestina (2024), de Susana Gertopán.

   Capa de Barrio Palestina      Em minha primeira ida a Asunción em dezembro de 2010 ou 2011 – não me recordo exatamente –, uma inscrição em uma parede me chamou a atenção: “Con ese calor no se pude pensar, Nietzsche”. A inscrição parecia ter sido feita naquele dia, pois fazia muito calor naquele verão assunceno. O riso imediato provocado por aquele exemplar de humor paraguaio quebrou momentaneamente o cansaço. Ainda não sabia que estava diante de uma representação recorrente sobre o país, como se observa no romance Barrio Palestina (2024), da escritora paraguaia Susana Gertopán, nascida em Asunción em 1956.      O romance tem um fundo biográfico. O livro conta a história de Móishele e sua família. Como judeus, se veem obrigados a sair da Polônia antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e migram para o Paraguai para fugirem do avanço do nazismo sobre a Europa. História similar marcou a família de Gertopán.     O romance é narrad...

A escola também tem história: cultura escolar, ensino de História e mudança na vida escolar

Elaboração própria (2026).      Toda escola tem um jeito próprio de funcionar. Tem escola em que os estudantes circulam com mais liberdade, conversam mais com os professores e participam das decisões. Tem escola em que tudo é mais rígido, silencioso e controlado. Tem escola em que o grêmio estudantil é valorizado. Tem escola em que qualquer tentativa de organização dos alunos já é vista como problema. Nada disso acontece por acaso.      É aqui que entra uma ideia importante para quem estuda educação: a cultura escolar. De modo simples, cultura escolar é o conjunto de normas, práticas, valores, rituais, símbolos e formas de comportamento que organizam a vida dentro da escola. Ela aparece no currículo, nas regras de convivência, no uniforme, nas filas, nos horários, nas punições, nas festas, nos murais, nas reuniões, nos conselhos de classe e até na maneira como professores, estudantes, direção e funcionários se tratam no cotidiano.      A cult...

O núcleo integralista de Foz do Iguaçu (1935-1937)

MONTEIRO, Diego. O sigma nas cataratas: o Integralismo em Foz do Iguaçu (1935-1955). Epígrafe , São Paulo, v. 14, n. 2, p. 338–368, 2025. A Ação Integralista Brasileira (AIB) foi bastante presente no contexto paranaense. O ano de 1935 marcou um momento de fortalecimento, visto que, de  acordo com Rafael Athaides, além da capital do estado, Curitiba, mais regiões iniciaram a instalação e subsequente consolidação de seus próprios núcleos, sendo elas: o Litoral, o Sul, o Centro, o Norte e o extremo Oeste paranaenses (ATHAIDES, 2011, p. 16). O Oeste paranaense era considerado pelos integralistas da província paranaense como um lugar selvagem e isolado, porém de grande importância para que o movimento se tornasse presente desde o Oceano Atlântico até a fronteira do estado com Argentina e Paraguai (ATHAIDES, 2012, p. 129-130). A ideia de um extremo-oeste “remoto” e “vazio” não era exclusiva aos integralistas, pois, segundo Liliane da Costa Freitag (2007), o Estado brasileiro também consi...