segunda-feira, 11 de abril de 2011

PROCESSOS HISTÓRICOS TRAUMÁTICOS: DEVE HAVER LIMITES PARA LEMBRÁ-LOS? PARTE II.

            “Debates semelhantes ocorreram após a queda das últimas ditaduras militares na América Latina. Anistia geral, irrestrita, incluindo os militares, ou apenas para os perseguidos políticos? O debate continua principalmente na Argentina, em virtude do elevado número de desaparecidos políticos e pela forte atuação de entidades como as Mães da Praça de Maio, associação liderada por familiares de perseguidos pela ditadura. Em 2006, o golpe fez 30 anos, a data (24 de março) virou feriado e o lema dos principais movimentos sociais argentinos neste dia foi, justamente, “Não haverá perdão”. As Mães da Praça de Maio e outras entidades são responsabilizadas por alguns setores da sociedade argentina pela manutenção de tensões políticas. Segundo esses setores, essas entidades, paradoxalmente, alimentariam a extrema direita que, temendo punições referentes ao período militar, se manteria articulada. Por exemplo, em 2006, o argentino Jorge Julio López, testemunha de acusação no julgamento de um militar acusado de genocídio, desapareceu sob circunstâncias desconhecidas. Sobre a “instrumentalização da vergonha com fins contemporâneos”, a presidente chilena Michelet [sic] Bachelet inaugurou em 2010 um museu dedicado às vítimas da ditadura Pinochet às vésperas de uma acirrada eleição presidencial.
Como destacamos, trata-se um debate antigo, que se articula em torno de dois pontos principais. O ressentimento pode unir um grupo e ajudá-lo a se afirmar? Ou o ressentimento paralisa os indivíduos e os grupos? O ressentimento, quando exteriorizado, ajuda a superar ou alimenta ódios? Nietzsche já destacava a necessidade de equilíbrio entre a memória e o esquecimento dos ressentimentos. Para Nietzsche, o esquecimento não deve ser imposto, tampouco é um processo inevitável, mas seria uma escolha, uma opção, o reivindica como um direito, pois a memória como dever condenaria os indivíduos e grupos a repetirem incessantemente a experiência lembrada. A memória viraria uma “prisão”. O nazismo, por exemplo, não se alimentou do ressentimento que se propagou entre os alemães após a derrota na Primeira Guerra Mundial?” (SILVA, Paulo Renato da. Memória, História e Cidadania. Cadernos do CEOM, Chapecó, SC, ano 23, número 32, jun. 2010, p. 343-344).
Aqui encerramos esta primeira reflexão sobre a memória de processos históricos traumáticos.
Leia artigo completo em:
<http://apps.unochapeco.edu.br/revistas/index.php/rcc/article/viewFile/682/443>.
            Prof. Paulo Renato da Silva.

5 comentários:

  1. Ah Prof, essa é a parte que eu mais gosto!!! Não pode para de postar:(
    Conversando com a Tania (ela tambem é caloura do curso de historia) descobri que a discussão no Uruguai sobre uma lei que protege os torturadores esta fortissimo. Isso porque eles fizeram o referendo juntamente com as eleições presidenciais e as discussões foram escassas. Sem contar um monte de irregularidades na aprovação da lei. O fato lamentavel é a forma como estão fazendo disso um jogo politico quando os direitos humanos de tantas pessoas foram violados. Dentro dessa tematica tem um assunto que me interessa um pouco mais que é o das crianças que perderam os pais ou foram separadas deles durante a ditadura. Tem ainda os que foram adotados pelos proprios torturadoes. Prof. vc tem algum documentario sobre isso???

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  2. Oi Ariana. Certamente voltaremos a esse assunto no blog e, claro, no curso.
    O que me preocupa são os extremos. No caso do Brasil, o silêncio. No caso da Argentina, me parece que, em alguma medida, o Estado tem tirado o protagonismo dos movimentos sociais no que se refere à memória da ditadura. É claro que o Estado deve atender às reivindicações dos movimentos sociais, mas penso que não deve se sobrepor a eles.
    Sobre a questão das crianças raptadas, sugiro começar por um filme argentino muito bom chamado "A História Oficial".
    Forte abraço, continue opinando e divulgue entre os colegas.
    Até breve.
    Prof. Paulo.

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  3. Ja assisti esse. Filme argentino de 1986, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro. O filme é ótimo, sem duvida!!!! Quanto aos colegas estou divulgando mas são poucos que tem computador. Isso se resolve em cerca de 1 mes e meio, segundo o Reitor...rsrs

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  4. Noticia sobre a decisao do Senado uruguaio de revogar a lei de anistia.(link)
    http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,senado-uruguaio-aprova-fim-da-lei-da-anistia-em-votacao-polemica,705622,0.htm

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