domingo, 31 de julho de 2011

Fragmentos da ANPUH III: Lívio Abramo no Paraguai.

Xilogravura da série "Paraguay" (fonte: <http://www.stickel.com.br/atc/arte/839>).
           
            No dia 22, a jornalista e crítica de arte Margarida Nepomuceno apresentou a comunicação A Missão Cultural Brasileira e a Atuação de Lívio Abramo no Paraguai.
            A autora explicou que a missão cultural em questão era um programa da embaixada brasileira no Paraguai, exemplo da necessidade de se incorporar efetivamente a esfera cultural no estudo das relações internacionais. Nepomuceno destacou que, a partir da década de 1940, o Brasil estabeleceu parcerias com o Paraguai que previam, por exemplo, o ensino da língua portuguesa no país e, nas décadas seguintes, as parcerias se diversificaram para o âmbito artístico.
            O gravador, ilustrador e desenhista Lívio Abramo era natural de Araraquara, Estado de São Paulo. Na década de 1930, atuou em O Homem Livre, um jornal antifascista. Nesse período, a sua obra foi marcada pelo tema da Guerra Civil Espanhola. Em 1962, em plena ditadura Stroessner, chegou ao Paraguai para trabalhar na Missão Cultural Brasileira e permaneceu no país até a sua morte em 1992.
            No livro A Consolidação da Ditadura de Stroessner (1954-1963), a historiadora Ceres Moraes defende que a missão cultural brasileira ajudou a consolidar a ditadura Stroessner, dando ares de modernidade ao governo. Novamente apareceu a questão do envolvimento de intelectuais com governos autoritários: como explicar que um artista politizado como Lívio Abramo tenha ajudado a consolidar Stroessner?
            Nepomuceno repetiu a citação de Antônio Cândido por Marcelo Ridenti no primeiro dia da ANPUH: servir na ditadura não seria o mesmo que servir à ditadura. Além disso, o artista não teria abandonado as suas concepções políticas, o que poderia ser notado na presença e valorização da cultura indígena do Paraguai em sua obra. Finalmente, esclareceu que a atuação de Lívio Abramo esteve concentrada na embaixada brasileira e não teve relações diretas com o governo Stroessner.
            Prof. Paulo Renato da Silva.

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