sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A Imagem Pública de Luís XIV.

            “Seria um erro, porém, dar às idéias de sinceridade e autenticidade um lugar central na análise do comportamento tanto de Luís como de seus cortesãos. O culto moderno da sinceridade não existia no século XVII. Outros valores, como decoro, eram reputados mais importantes. Seja como for, o sistema não era movido apenas pela bajulação. É improvável que todas as contribuições para a glorificação do rei fossem cínicas, isto é, meras tentativas de persuadir outros de algo em que pessoalmente não se acredita. É possível, para dizer o mínimo, que o próprio Luís, a corte e país acreditassem na imagem idelizada do rei, assim como nas virtudes do toque real (…). Vista fora de contexto, a imagem de Luís XIV como monarca sagrado, invencível, pode sem dúvida parecer um caso de megalomania. No entanto, temos de aprender a vê-la em seu contexto, como criação coletiva e – pelo menos até certo ponto – como resposta a uma demanda, ainda que o público não tivesse plena consciência do que desejava. Os processos pelos quais imagens reforçam o poder são ainda mais eficazes por serem parcialmente inconscientes.” (BURKE, Peter. A Fabricação do Rei: a construção da imagem pública de Luís XIV. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. p. 24).
            Prof. Paulo Renato da Silva.


Um comentário:

  1. Porque construíram essa imagem para o monarca?

    Porque o Estado precisava "difundir" essa imagem?

    "Uma ideologia bem-estabelecida... perpetua-se com pouca propaganda planejada... Quando se começa a pensar sobre maneiras e meios de disseminar a convicção, é que esta já definhou" (p. 145)

    Fiz uma relação entre Luis XIV e D. João VI no que seria a "crise de legitimação" (Habermas)... A imagem de um príncipe virtuoso e poderoso era repassada para a colonia. Quando a família real portuguesa chegou ao Brasil em um estado de quase refugiados, e os brasileiros puderam ver em carne e osso como eram seus príncipes verdadeiramente, causando certo desapontamento.
    Mas mesmo assim a Imprensa Real vivia mostrando uma imagem "ideal" dos monarcas...

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