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Exílio.

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
(...)
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 

Canção do Exílio, Gonçalves Dias (1847)

Entre as motivações para a migração se encontra a instabilidade política nas sociedades de origem. Esta instabilidade leva pessoas a saírem forçadamente ou por escolha própria de seus países. Embora não trate especificamente de exílio político, a Canção do Exílio de Gonçalves Dias (1847), da qual transcrevemos acima a primeira e a última estrofe, expressa o sentimento das pessoas vivendo fora de seus países, e que por diversas razões não podem a ele retornar.
Na história contemporânea da América Latina, as ditaduras civil-militares motivaram o exílio de militantes políticos, artistas e escritores, por exemplo, e essa experiência foi retratada em livros, músicas e filmes. Indicaremos obras que tratam do sentimento de distanciamento, saudade e abandono forçado da terra natal, dos amigos e da família.
Na literatura, o tema foi abordado, entre outros, pelo escritor paraguaio Gabriel Casaccia no livro Los exiliados (1966), que trata de exilados paraguaios que se estabelecem em Posadas, Província de Misiones, na Argentina.




No conto Geografías (publicado em compilação de contos e poemas em 1984), o escritor uruguaio Mario Benedetti expõe a vida de exilados uruguaios em Paris, cujo passatempo é reconstruir mentalmente os lugares dos quais estão distantes naquele momento.



No Brasil, a ausência dos exilados motivou não só obras dos próprios exilados, escrevendo do exterior, mas também daqueles que ficaram, expondo a saudade e o desejo de reencontrar os que partiram. Um exemplo é a canção de Roberto e Erasmo Carlos Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos (1971) dedicada a Caetano Veloso, então exilado em Londres:


O exílio do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, é mencionado na canção O bêbado e a equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc. A música, eternizada na interpretação de Elis Regina (1979), tornou-se símbolo do desejo de retorno dos exilados, e era cantada nos aeroportos na recepção aos que voltavam ao Brasil após a anistia.




Betinho foi tema recente de documentário, Betinho – a esperança equilibrista (2015), de Victor Lopes.



Profa. Mirian Santos Ribeiro de Oliveira.
Prof. Pedro Afonso Cristovão dos Santos.

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