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A formação de uma consciência feminista brasileira nos anos 1970: as pesquisas do Mestrado em História da UNILA

Apresentamos hoje no blog a pesquisa de mestrado da estudante do Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS) da UNILA Caroline Copetti de Vargas, a respeito dos grupos de autorreflexão feministas formados por brasileiras nos anos 1970, e sua expressão na imprensa feminista daquela época. Boa leitura!

A formação de uma consciência feminista brasileira nos anos de 1970: um estudo através da imprensa feminista brasileira durante a Ditadura Militar

Os grupos de autorreflexão, consciousness raising groups (em inglês) surgiram como um marco inicial da segunda onda do feminismo, no final dos anos de 1960, mais especificamente nas grandes cidades dos Estados Unidos como Nova York e Chicago em 1967 e em Paris, França. Fundamentados principalmente no Marxismo, Pedagogia Crítica e no pensamento desenvolvido de feministas como Simone de Beauvoir, Carol Paterman e Betty Friedan de que as experiências vividas dentro de suas casas com seus maridos, pais e patrões, também são marcadas pelo sexismo e pela divisão sexual do trabalho. Os grupos de autorreflexão foram muito além de ser apenas um espaço em que mulheres se sentissem confortáveis em expressar suas experiências. Neles, foram formadas as bases para diversos movimentos de lutas contra a opressão da mulher. No Brasil, encontramos registros de grupos de reflexão a partir dos anos de 1970, iniciados por mulheres que vivenciaram essa metodologia nos  EUA e Europa, durante o exílio provocado pelo Regime Militar em vigor no cenário político nacional e trouxeram para cá esses grupos, acrescentando ainda ao processo educativo elementos da metodologia Paulo Freiriana. O  objetivo  dessa pesquisa, é analisar a partir de uma pesquisa bibliográfica a construção do pensamento feminista através dos grupos de autorreflexão, mais especificamente, movimentos de resistência à Ditadura Militar, de luta pela anistia e por direitos das mulheres. Entendendo assim como eles contribuíram para a formação de uma consciência crítica das opressões e das mulheres neste período histórico. Portanto, serão analisados além de artigos, teses e pesquisas acadêmicas sobre o tema, o jornal, o Nós mulheres criado pela Associação de Mulheres de 1976 a 1978 e através dele tentar identificar a construção de uma consciência feminista brasileira durante um período de extrema repressão política e violação dos direitos humanos, compreendo as principais pautas e demandas dos movimentos feministas da época assim como os principais atores de transformação social.

Fonte: Fundação Carlos Chagas.Disponível em: h ttps://www.fcc.org.br/conteudosespeciais/nosmulheres/, acesso em 04/06/2020


Caroline Copetti de Vargas - Mestranda em História do PPGHIS-UNILA
Orientadora: Profa. Endrica Geraldo

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