Pular para o conteúdo principal

BALANÇO DO DEBATE: PROCESSOS HISTÓRICOS TRAUMÁTICOS, MEMÓRIA E HISTÓRIA.

          Passados alguns anos desde a escrita do artigo Memória, História e Cidadania, apesar dele ter sido publicado apenas em 2010, gostaria de pontuar e desenvolver algumas questões discutidas sucintamente nestes dias.
          Em primeiro lugar, cabe diferenciar a memória do Holocausto da memória das ditaduras militares na América Latina. No pós-guerra, a Alemanha trouxe à tona a experiência do nazismo, enquanto que na América Latina ainda predomina o desconhecimento quanto às ditaduras militares. Por isso a discussão de limites para a memória de processos históricos traumáticos é mais presente na Alemanha do que na América Latina.
          A discussão de limites, por sua vez, não deve culminar na defesa do esquecimento, tampouco na ausência de justiça. Os limites devem ser pensados para que esta memória não seja apropriada indevidamente; por exemplo, preocupa no caso argentino que, recentemente, os governantes pareçam se destacar mais do que os movimentos sociais no que se refere à memória da ditadura. Os limites permitiriam que o “anjo da História” continuasse a voar para a frente, ainda que com os olhos voltados para trás.
          Os militares e seus defensores argumentam que os opositores também cometeram crimes. Trata-se de um assunto complexo a ser enfrentado, mas é preciso considerar que não havia equilíbrio entre as forças dos militares e a dos opositores. Enquanto os primeiros possuíam a “máquina do Estado” ao seu dispor, os segundos, na maioria das vezes, atuavam na clandestinidade.
          A discussão continuará oportunamente.
          Prof. Paulo Renato da Silva.

Postagens mais visitadas deste blog

Após as bombas, haverá um 13? Desabafos de uma venezuelana migrante

            Hoje não tem clareza na minha sala. Deixei fora a luz de um dia ensolarado para me recolher nos cinzas de um dia de ressaca existencial. O corpo doe, o peito interrompe o ar e um zumbido de múltiplas vozes me atordoa. Y talvez nessa densa névoa, carregada de ruido e de emoções sem nome, as palavras que não enxergo aconteçam e me permitam esboçar o andaime que organize o turbilhão de sentimentos, reflexões, pulsões e memórias que me atinge após as notícias que recebi do meu país assim que acordei ontem, bem cedo pela manhã. Eram às 06h quando meu telefone ligou e começaram a chegar centenas de mensagens. No grupo da minha família paterna, as primeiras mensagens foram às 02 horas e pouco da madrugada. Nelas, transparecia a surpresa. Falavam de sons de foguetes, de trovões, de impactos de bomba, de queda de luz. Ninguém entendia nada, e eu menos. Alguns falavam em golpe de Estado, outros em atentado e, aos poucos, começaram a falar em bombard...

A perspectiva na pintura renascentista.

Outra característica da pintura renascentista é o aprimoramento da perspectiva. Vejamos como a Enciclopédia Itaú Cultural Artes Visuais se refere ao tema: “Técnica de representação do espaço tridimensional numa superfície plana, de modo que a imagem obtida se aproxime daquela que se apresenta à visão. Na história da arte, o termo é empregado de modo geral para designar os mais variados tipos de representação da profundidade espacial. Os desenvolvimentos da ótica acompanham a Antigüidade e a Idade Média, ainda que eles não se apliquem, nesses contextos, à representação artística. É no   renascimento   que a pesquisa científica da visão dá lugar a uma ciência da representação, alterando de modo radical o desenho, a pintura e a arquitetura. As conquistas da geometria e da ótica ensinam a projetar objetos em profundidade pela convergência de linhas aparentemente paralelas em um único ponto de fuga. A perspectiva, matematicamente fundamentada, desenvolve-se na Itália dos sécu...