segunda-feira, 4 de abril de 2011

DITADURA, CINEMA E DEBATE.

            No sábado, dia 2, houve sessão de cinema no Teatro Barracão, localizado na Praça da Bíblia (Avenida República Argentina, número 4331). Foi exibido Batismo de Sangue (2007, Brasil, direção: Helvécio Ratton). O evento foi organizado pela Casa do Teatro e pela Casa da América Latina e contou na mesa de debate com o professor da UNILA Fabrício Pereira da Silva (Ciência Política e Sociologia) e com o jornalista Aluízio Palmar, perseguido político durante a ditadura militar brasileira (1964-1985) e presidente do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu (CDHMP).
            Mais de 70 alunos da UNILA estiveram presentes. O ônibus doado pelo Sr. Osmar Gebing do CDHMP contribuiu decisivamente para essa presença expressiva.
            O debate tocou em pontos centrais da ditadura militar e da memória sobre o período.
            Quanto aos militantes que, sob tortura, delataram companheiros, o professor Fabrício defendeu que é preciso romper o estigma de delatores e incluí-los entre as vítimas dos militares.
            Aluízio Palmar destacou que a repressão não atuou apenas em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro e também se manifestou com força, por exemplo, em Foz do Iguaçu. Palmar também destacou que o tema ditadura militar, marcado pela violência, permite repensar a identidade nacional brasileira, geralmente influenciada pelas imagens de país pacífico, harmônico e de convergência.
            Ambos questionaram a ideia de que os setores populares teriam apoiado – e ainda apoiariam – a ditadura. O professor Fabrício lembrou as votações expressivas obtidas pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), o partido de oposição aos militares. Aluízio Palmar ressaltou que existem histórias desconhecidas, por exemplo, de camponeses que resistiram à ditadura.
            Que venha a próxima sessão!
            Prof. Paulo Renato da Silva.

4 comentários:

  1. E que venha mesmo, para que assim, a realidade da ditadura e de tantos outros temas, que hora por falta de informação, hora por medo da repreensão, sejam relembrados. Temas estes que tornaram-se irrelevantes dentro da nossa sociedade por causa da sua frágil memória em relação à própria história e anestesiada diante das injustiças.

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  2. Inclusive fico feliz de salientar que a escolha para saber quem iria de onibus foi extremamente democratica. Por exemplo, na moradia 2 só quem estava na lista do onibus é que ficou sabendo que haveria um onibus. Desisti de ir (eu iria pagar passagem de transporte urbano) quando descobri que as panelas estão excluindo alguns estudantes.

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  3. Cara Ariana,
    Compreendo sua insatisfação, mas gostaria de ressaltar que o ônibus não era da UNILA. Conseguimos o transporte através de um empresário da cidade poucos dias antes, o que dificultou a divulgação, sobretudo entre os novos alunos, cujos e-mails ainda não estavam cadastrados na secretaria.
    Diante da impossibilidade da UNILA em ceder um ônibus, tínhamos duas alternativas: não levar ninguém ou levar o maior número possível de alunos. Escolhemos a segunda opção.
    Grato pela compreensão e pela manifestação.
    Forte abraço e prestigie os próximos eventos.
    Prof. Paulo.

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  4. Prof.Paulo, não estou questionando o fato de não ter tido onibus para levar todo mundo, isso eu compreendi. O problema foi que pouquissimas pessoas ficaram sabendo da existencia desse onibus. Mesmo que ficasse de fora o importante era todo mundo saber sobre o onibus e se inscrever e ai os primeiros da lista seriam os contemplados, mas a informação nem chegou nas pessoas. Essa é a indignação.

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