domingo, 15 de maio de 2011

Do 13 de maio ao 20 de novembro.

           Na sexta-feira fez 123 anos que a escravidão foi abolida no Brasil. A data tem perdido importância para o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, data da morte de Zumbi, líder do Quilombo de Palmares, considerado o mais importante da História do país. A mudança visa valorizar os negros como agentes principais do fim da escravidão e não as elites brasileiras representadas pela Princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888.
            Prof. Paulo Renato da Silva.

6 comentários:

  1. Prof. Paulo...posso estar enganado,mas está é minha visão sobre o assunto:

    1. A morte de Zumbi é simbologia...em Palmares a família de Zumbi (que sempre detive o poder do quilombo) ela própria era possuidora de escravos. Essa mesma família descendia de uma família real de uma tribo africana (Princesa Aqualtunes) que tinha o costume de escravizar seus inimigos e vendê-los como escravos.

    2. A Princesa Isabel não representava as elites brasileiras. A Família Imperial brasileira era contraria a escravidão. Após decidir acabar por completo com a escravidão,perdeu o apoio das elites oligárquicas que se tornaram republicanas (os tais republicanos de 14 de maio).Princesa Isabel tinha ainda uma preocupação pós-lei Áurea,que previa indenizar e inserir social e economicamente os negros (ela tinha um outro projeto que se referia e extender o direito de voto as mulheres também).É claro que nada disso foi feito.O regime foi deposto pelo golpe de 89 que sequer se preocupou com a questão do negro livre...aliás,na década de 10 se não me engana,existia uma lei que proibia o jogo de capoeira em locais públicos.

    Entre as duas datas...prefiro o 13 de maio!

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  2. Oi Cassiano,
    Boas observações. O meu textinho se refere apenas aos usos da memória, faltou frisar isto. Mas é importante ressaltar que o fato de Zumbi ter tido escravos não deve nos causar espanto, pois, em uma sociedade escravista, tê-los era sinal de distinção social, de poder. É o que comentamos outro dia em sala, a história acontecendo entre as tradições herdadas e as ações dos sujeitos e grupos. Tampouco devemos cobrar solidariedade, unidade entre os africanos, pois isto pode ser fruto de um olhar que, marcado pela distância e pelo desconhecimento, torna a África um todo homogêneo, desconsidera as tensões e as relações de poder internas.
    Quanto à princesa Isabel, de fato, novos estudos mostram a simpatia dos abolicionistas por ela, mas vale frisar que nem todo abolicionista tinha exatamente uma preocupação com a afirmação dos negros. Muitos defendiam a abolição para modernizar o Brasil e as relações de trabalho.
    Forte abraço e continue acessando e opinando.
    Prof. Paulo.

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  3. Cassiano, quase chorei com o discurso sobre a Princesa Isabel...te recomendo Casa Grande e Senzala, acho que voce vai se identificar! Sou totalmente contra tudo o que voce disse. A escravidao praticada na Africa, pela familia real de Zumbi, como voce mesmo disse, tinha uma conotação totalmente diferente da praticada no Brasil. Era uma questao de divida de guerra, era como um acordo nao explicito. Sem contar que o escravo nao era tirado do seu pais e separado da sua familia anos luz para que ele nao oferecesse resistencia.
    A princesa Isabel era sim uma marionete da elite social da época, sem contar que ela assinou a Lei Aurea sem garantir nenhum direito aos "ex-escravos", ela poderia inclusive ter garantido um artigo da lei para que os negros nao fossem marginalizados. Outro fato é que existia pressão dos negros para que a Lei de abolição fosse assinada, mas as elites nacionais fizeram questão de escrever a história para contar como eles foram bonzinhos, afinal de contas os negros nao serviam pra muita coisa, nem pra lutar pela sua liberdade (visão da elite e nao minha). 20 de novembro é a data perfeita, foi escolhida pelos negros, os agentes da resistencia ao sistema escravista, e esse é o dia que eu comemoro. O fato é que as elites estragaram o dia novamente. O feriado do dia 20 é opcional, facultativo, sendo que nós temos que engolir dezenas de feriados santos e burgueses como o dia de Tiradentes (inconfidente, iluminista e, nao muito surpreendente, burgues). Eu mereço!!!!!!

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  4. Ariana,pra ser sincero,eu já li um pouco de Casa Grande & Senzala(não o livro todo,apenas partes).E é claro que o livro dá a entender que existiria uma certa"democracia racial"no Brasil,o que eu não concordo.No livro do Darcy Ribeiro ele fala: tão proclamada quanto falsa democracia racial.

    Agora,quanto as famílias reais dos diversos reinos africanos,até onde sei,atrave de guerras eles prendiam os derrotados e os vendiam para os traficantes que os levaria"anos luz"...para o outro lado do Atlântico.Também nem falo de"solidariedade"entre os africanos no Brasil,pois os negros viam de diferentes tribos,rivais,falantes de diferentes línguas.

    E sobre meu discurso sobre a Princesa Isabel: reafirmo,ela não representava as elites brasileiras e tampouco era uma marionete.Como as próprias elites iriam ser representadas por ela,se -numa sociedade tradicionalista- consideravam uma mulher incapaz de reinar,e ainda desconfiavam de seu marido,o francês Conde D'Eu?Já no fim do reinado de Pedro II ela vinha sendo preparada para sucedê-lo nas regências...e novamente,entre seus planos: indenizar e inserir os negros na sociedade e ampliação do voto as mulheres.

    O regime imperial preocupou-se com a questão do negro-livre,o que faltou foi tempo...os últimos apoiantes da monarquia eram os fazendeiros,e estes tornaram-se republicanos(nem tanto por simpatia ao regime,mas para opor-se a monarquia...isso,deacordo com o livro República Brasileira de Lincoln de Abreu Penna).

    Mas,cada um com suas preferências de datas.Reconheço a resistência dos negros a escravidão,mas reconheço também que a família imperial era contrária a isso...deferentemente do que nos ensinam nas escolas.E foi o que mais me chamou a atenção nesse post...identificá-la como representante das elites escravocratas.

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  5. Também os negros e mulatos escravizados passaram a participar mais ativamente da luta, fugindo das fazendas e buscando a liberdade nas cidades, especialmente, depois de 1885, quando foram proibidos os castigos corporais aos escravos fugidos quando fossem recapturados. A lei nº 3.310, de 15 de outubro de 1886, revogou o artigo nº 60 do Código Criminal de 1830 e a lei nº 4, de 10 de Junho de 1835, na parte em que impõem a pena de açoites, e determinou que “ao réu escravo serão impostas as mesmas penas decretadas pelo Código Criminal e mais legislação em vigor para outros quaisquer delinquentes”.
    No interior de São Paulo, liderados pelo mulato Antônio Bento e seus caifazes, milhares deles escaparam das fazendas e instalaram-se no Quilombo do Jabaquara, em Santos. A essa altura, a campanha abolicionista misturou-se à campanha republicana e ganhou um reforço importante: O Exército Brasileiro pediu publicamente para não mais ser utilizado na captura dos fugitivos. Nos últimos anos da escravidão no Brasil, a campanha abolicionista adotou o lema "Abolição sem indenização". Do exterior, sobretudo da Europa, chegavam apelos e manifestos favoráveis ao fim da escravidão.
    Essas fugas em massa de escravos para a cidade de Santos, geraram violência, que foi denunciada, nos debates sobre a Lei Áurea, em 9 de novembro de 1888, na Câmara Geral, pelo deputado geral Andrade Figueira que acusou a polícia paulista (Força Pública) e políticos de serem coniventes com estas fugas, o que levou os proprietários de escravos paulistas a libertarem seus escravos para evitar mais violência:
    "Os escravos fugiram em massa, prejudicando não só os grandes interesses econômicos, mas também interesses de segurança pública: houve mortes, houve ferimentos, houve invasão de localidades, houve o terror derramado por todas as famílias, e aquela importante província durante muitos meses permaneceu no terror mais aflitivo. Felizmente os proprietários de São Paulo, compreenderam que, diante da inação da Força Pública, melhor seria capitularem perante a desordem, e deram liberdade aos escravos."
    — Andrade Figueira

    No mesmo sentido, escrevia Joaquim Manuel de Macedo em seu livro: As Vítimas-Algozes, denunciando a cumplicidade dos pequenos estabelecimentos comerciais, chamados de Venda, na receptação dos bens furtados, nas fazendas, pelos escravos e quilombolas:
    "A "Venda" não dorme: às horas mortas da noite vêm os quilombolas, os escravos fugidos e acoutados nas florestas, trazer o tributo de suas depredações nas roças vizinhas ou distantes ao vendelhão que apura nelas segunda colheita do que não semeou, e, que tem, sempre de reserva, para os quilombolas, recursos de alimentação de que eles não podem prescindir, e também, não raras vezes, a pólvora e o chumbo para resistência no caso de ataques aos quilombos."
    — Joaquim Manuel de Macedo
    Tirado da wikipedia, da pagina sobre abolicao, preciso dizer alguma coisa????
    Ai vai o link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Abolicionismo_no_Brasil

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  6. Alguns anos após esta postagem, lembrando disso, vim deixar um comentário, pois de fato, no início da graduação eu tinha uma ideia equivocada sobre a questão da escravidão. Primeiro que a escravidão sempre existiu desde as primeiras sociedades organizadas e em qualquer lugar do mundo pelo visto: Egito, Mesopotâmia, Império Romano... Nos diversos reinos no continente africanos também. Mas, a partir do século XVI a escravidão assume uma outra proporção, em tamanho e em justificativa.
    Outra questão é a princesa e o pai dela serem a favor do fim da escravidão, mas que a instituição monárquica havia nascido para dar manutenção ao tráfico e escravidão (Miriam Dolnikoff, "O Pacto Federativo: origens do federalismo no BR", fala de um "arranjo institucional" entre elites provinciais de grandes fazendeiros, e uma elite central, com origens na corte portuguesa no Rio de Janeiro. Esse arranjo entre as duas elites envolvia questões de participação no novo governo - imperial - e a manutenção do tráfico e escravidão: somente um estado grande e forte poderia enfrentar a Inglaterra que vinha pressionando pela abolição do tráfico. E deu certo, pq o governo só aboliu o tráfico em 1850 e arrastou a manutenção da escravidão até onde foi possível).

    Eu resolvi fazer este comentário agora, pq lembrei dessa postagem, muitas coisas que eu aprendi no ensino médio (tão precário naquele estado que se diz o mais rico do Brasil...) foram desconstruídas ao longo da minha graduação. Infelizmente nem todas as pessoas tem essa oportunidade. Embora o acesso ao ensino superior no Brasil aumentou na última década, ainda nem todos tem a oportunidade, e aí acabamos com uma parte da população bombardeada por uma mídia que representa os interesses de apenas um pequeno grupo político/social...

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