Na sexta-feira fez 123 anos que a escravidão foi abolida no Brasil. A data tem perdido importância para o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, data da morte de Zumbi, líder do Quilombo de Palmares, considerado o mais importante da História do país. A mudança visa valorizar os negros como agentes principais do fim da escravidão e não as elites brasileiras representadas pela Princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888.
Prof. Paulo Renato da Silva.
A partir do final do século XX, uma parcela dos historiadores, de diferentes origens, passou a questionar a predominância de uma perspectiva nacionalista da história. A compreensão dos Estados nacionais como unidades quase naturais (ou, ao menos, essencializadas) dos processos históricos, percepção que remonta à disciplinarização da História no século XIX, passou a ser contestada, tendo em vista os eventos históricos que marcaram a mudança para o nosso século. A mundialização, ou globalização, a formação de blocos transnacionais como a União Europeia e o Mercosul estão entre os eventos que formaram esse contexto de questionamento ao paradigma nacionalista. Em um movimento muito articulado aos estudos latino-americanistas, como apontou Barbara Weinstein (2013), os historiadores do outrora chamado “Terceiro Mundo”, em especial a partir das décadas de 1980 e 1990, puseram em dúvida sobretudo a ausência de protagonismo de suas regiões nas narrativas históricas. América Latina, África, Ási...