Pular para o conteúdo principal

Conquista, Povos Originários e Historiografia: Miguel León-Portilla.

A Visão dos Vencidos: a tragédia da conquista narrada pelos astecas, livro publicado em 1959 pelo antropólogo e historiador mexicano Miguel León-Portilla, apresenta uma História da conquista do México por Hernán Cortés a partir de testemunhos indígenas, como o poema anônimo de Tlatelolco postado ontem.
Trata-se de um exemplo da chamada “História dos Vencidos” ou ainda da “História Vista de Baixo”, dentre outras denominações possíveis. Ao enfocar os relatos indígenas, o autor ressalta a violência da conquista e colabora para desfazer alguns mitos como o de nossa mestiçagem, a qual, por vezes, transmite a imagem de que a formação da América Latina foi harmônica.
Para encerrar, vejamos um testemunho de "A Matança de Cholula" presente no livro: “De sua parte, as pessoas simples ficam apenas tomadas pelo medo. Não fazem mais do que se sentir desesperados. É como se a terra tremesse, como se a terra rodopiasse ao redor dos seus olhos. (...). Tudo era um assombro.” (apud LEÓN-PORTILLA, Miguel. A Visão dos Vencidos: a tragédia da conquista narrada pelos astecas. Porto Alegre: L&PM, 1985. p. 56).
Na próxima postagem começaremos a apresentar as críticas à perspectiva de León-Portilla.
Prof. Paulo Renato da Silva.

Postagens mais visitadas deste blog

Após as bombas, haverá um 13? Desabafos de uma venezuelana migrante

            Hoje não tem clareza na minha sala. Deixei fora a luz de um dia ensolarado para me recolher nos cinzas de um dia de ressaca existencial. O corpo doe, o peito interrompe o ar e um zumbido de múltiplas vozes me atordoa. Y talvez nessa densa névoa, carregada de ruido e de emoções sem nome, as palavras que não enxergo aconteçam e me permitam esboçar o andaime que organize o turbilhão de sentimentos, reflexões, pulsões e memórias que me atinge após as notícias que recebi do meu país assim que acordei ontem, bem cedo pela manhã. Eram às 06h quando meu telefone ligou e começaram a chegar centenas de mensagens. No grupo da minha família paterna, as primeiras mensagens foram às 02 horas e pouco da madrugada. Nelas, transparecia a surpresa. Falavam de sons de foguetes, de trovões, de impactos de bomba, de queda de luz. Ninguém entendia nada, e eu menos. Alguns falavam em golpe de Estado, outros em atentado e, aos poucos, começaram a falar em bombard...

A perspectiva na pintura renascentista.

Outra característica da pintura renascentista é o aprimoramento da perspectiva. Vejamos como a Enciclopédia Itaú Cultural Artes Visuais se refere ao tema: “Técnica de representação do espaço tridimensional numa superfície plana, de modo que a imagem obtida se aproxime daquela que se apresenta à visão. Na história da arte, o termo é empregado de modo geral para designar os mais variados tipos de representação da profundidade espacial. Os desenvolvimentos da ótica acompanham a Antigüidade e a Idade Média, ainda que eles não se apliquem, nesses contextos, à representação artística. É no   renascimento   que a pesquisa científica da visão dá lugar a uma ciência da representação, alterando de modo radical o desenho, a pintura e a arquitetura. As conquistas da geometria e da ótica ensinam a projetar objetos em profundidade pela convergência de linhas aparentemente paralelas em um único ponto de fuga. A perspectiva, matematicamente fundamentada, desenvolve-se na Itália dos sécu...