Pular para o conteúdo principal

Conquista, Povos Originários e Historiografia: Miguel León-Portilla.

A Visão dos Vencidos: a tragédia da conquista narrada pelos astecas, livro publicado em 1959 pelo antropólogo e historiador mexicano Miguel León-Portilla, apresenta uma História da conquista do México por Hernán Cortés a partir de testemunhos indígenas, como o poema anônimo de Tlatelolco postado ontem.
Trata-se de um exemplo da chamada “História dos Vencidos” ou ainda da “História Vista de Baixo”, dentre outras denominações possíveis. Ao enfocar os relatos indígenas, o autor ressalta a violência da conquista e colabora para desfazer alguns mitos como o de nossa mestiçagem, a qual, por vezes, transmite a imagem de que a formação da América Latina foi harmônica.
Para encerrar, vejamos um testemunho de "A Matança de Cholula" presente no livro: “De sua parte, as pessoas simples ficam apenas tomadas pelo medo. Não fazem mais do que se sentir desesperados. É como se a terra tremesse, como se a terra rodopiasse ao redor dos seus olhos. (...). Tudo era um assombro.” (apud LEÓN-PORTILLA, Miguel. A Visão dos Vencidos: a tragédia da conquista narrada pelos astecas. Porto Alegre: L&PM, 1985. p. 56).
Na próxima postagem começaremos a apresentar as críticas à perspectiva de León-Portilla.
Prof. Paulo Renato da Silva.

Postagens mais visitadas deste blog

A perspectiva na pintura renascentista.

Outra característica da pintura renascentista é o aprimoramento da perspectiva. Vejamos como a Enciclopédia Itaú Cultural Artes Visuais se refere ao tema: “Técnica de representação do espaço tridimensional numa superfície plana, de modo que a imagem obtida se aproxime daquela que se apresenta à visão. Na história da arte, o termo é empregado de modo geral para designar os mais variados tipos de representação da profundidade espacial. Os desenvolvimentos da ótica acompanham a Antigüidade e a Idade Média, ainda que eles não se apliquem, nesses contextos, à representação artística. É no   renascimento   que a pesquisa científica da visão dá lugar a uma ciência da representação, alterando de modo radical o desenho, a pintura e a arquitetura. As conquistas da geometria e da ótica ensinam a projetar objetos em profundidade pela convergência de linhas aparentemente paralelas em um único ponto de fuga. A perspectiva, matematicamente fundamentada, desenvolve-se na Itália dos sécu...

"Operários", de Tarsila do Amaral: diversidade e unidade dos trabalhadores.

Há um amplo debate sobre a formação do movimento operário e os elementos que interferem em sua constituição. Um quadro da brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973), Operários , de 1933, de certa forma sintetiza esse debate. No quadro, a pintora representa a diversidade - sobretudo étnica e de gênero, para usarmos conceitos atuais - que caracterizava os trabalhadores da indústria brasileira do período. Se por um lado notamos a diversidade dos trabalhadores, por outro a pintora também indica elementos em comum. Os rostos sobrepostos representariam a “massificação” dos trabalhadores. A expressão de "cansaço" da maioria dos rostos indicaria esse processo. Prof. Paulo Renato da Silva.