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A força da tradição e a vitória do povo: Bandeira e Hino


No texto anterior sobre a formação da república, postado no dia 25, observamos a transformação de um homem, que cerca de 100 anos após ser enforcado foi transformado em um herói nacional. Hoje continuarei a escrever sobre a temática. Analisaremos a importância dos símbolos nacionais – a bandeira e o hino – e também a forma como eles foram definidos e implantados.
De acordo com José Murilo de Carvalho, os símbolos nacionais expressam o sentimento e a emoção cívica de uma nação. Eles representam muito mais do que hoje costumam ensinar nas escolas. A bandeira não é apenas um pedaço de pano colorido, com algumas cores que representam as florestas e matas do país (que aliás grande parte não existe mais), as riquezas que os portugueses nos roubaram e o céu do nosso país. Não, eles são muito mais que isso. A nossa bandeira verde e amarela é nossa marca registrada e nos representa em todas as situações - boas ou ruins - usamos suas cores com orgulho seja no momento da vitoria ou da derrota ela sempre está. E o hino? Sua letra exprime nosso sentimento de liberdade e o que queremos para a nossa nação. Devido à importância que eles possuem, a afirmação de ambos na república gerou muita discussão por parte de todos os envolvidos nesse processo.
A bandeira que hoje representa o país nem sempre foi a nossa atual. Antes de esta ser escolhida houve outras. Uma delas foi a bandeira provisória de 1889 (conhecida também como a bandeira da proclamação, porque foi hasteada na câmara municipal do dia 15 até o dia 19 de novembro do mesmo ano). Era baseada na bandeira dos Estados Unidos, embora com as cores da bandeira imperial. 

A bandeira atual foi feita pelos positivistas em oposição à bandeira dos republicanos. Ela é baseada na bandeira imperial de 1822, que tem as cores verde e amarela representando as Casas Reais do imperador D. Pedro I (dinastia de Bragança) e da princesa Leopoldina (Habsburgo), ramos de café que abraçam o escudo, ligados na parte inferior pelo laço da nação e que simbolizam a riqueza comercial, a coroa real diamantina e a cruz da ordem de Cristo. 


Para os positivistas o emblema nacional deveria unir passado, presente e futuro, por isso eles conservaram o fundo verde, o losango amarelo e a esfera azul da bandeira imperial. As estrelas que circulavam a esfera foram transferidas para dentro dela. Foi adicionado um lema positivista “Ordem e Progresso”, que representava o que os idealizadores da bandeira desejavam para a nação. Houve várias tentativas de mudar a bandeira por parte daqueles que não concordavam com o lema positivista, todas sem êxito algum.
Enquanto que na afirmação da bandeira não houve participação popular, o hino foi a única participação efetiva do povo na implantação do novo regime e representou também uma vitória da tradição. A atual letra foi definida como oficial após uma manifestação popular em janeiro de 1890, em que após serem tocadas diversas marchas militares sem que houvesse reação alguma por parte da população, foi tocado o velho hino de Francisco Manuel da Silva, que por despertar emoção na população presente, foi definido por Deodoro da Fonseca como hino oficial, significando uma vitória do povo. Alguns anos mais tarde (1906), o hino ganharia a letra que conhecemos hoje com o poema de Joaquim Osório Duque Estrada.
A adoção da bandeira e do hino foi importante para a criação do sentimento de nacionalismo no povo. Junto às outras figuras do imaginário, foram fundamentais para que o povo aceitasse o novo regime e que para que este pudesse se consolidar.

Marcelle Ferreira de Araújo Andrade - Discente de História - UNILA

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