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A História segundo E. H. Carr.


“O ponto de vista de Collingwood pode ser resumido da seguinte maneira: a filosofia da história não se ocupa nem do “passado em si” nem do “pensamento do historiador em si acerca do passado”, mas de “as duas coisas nas suas relações mútuas”. (Tal afirmação reflecte os dois significados correntes da palavra “história” – a pesquisa levada a cabo pelo historiador e a série de acontecimentos passados que ele investiga.) “O passado que um historiador estuda não é um passado morto, mas um pretérito que, de alguma maneira, ainda vive no presente”. (...).
(...).
Em primeiro lugar, os factos da história nunca nos chegam “puros”, visto que não existem nem podem existir sob uma forma pura: eles surgem sempre refractados através da mente do registrador. Segue-se que, quando nos empenhamos num trabalho de história, a nossa primeira preocupação deveria ser, não com os factos que ele contém, mas com o historiador que o elaborou. (...).
O segundo ponto, mais conhecido, é o da necessidade, por parte do historiador, de compreensão imaginativa em relação à mentalidade das pessoas com que está a lidar e ao pensamento subjacente aos seus actos (...). (...).
O terceiro ponto é que somente através dos olhos do presente podemos considerar o passado e alcançar uma sua compreensão. O historiador pertence à sua época e a ela está submetido pelas condições da existência humana. (...).
(...).
(...). Portanto, a minha primeira resposta à questão Que é a História? é a de que ela é um processo contínuo de interacção entre o historiador e os seus factos, um diálogo interminável entre o presente e o passado. (CARR, E. H. Que é a História? Lisboa: Gradiva. p. 18-25).
Vale apontar que se trata de uma edição portuguesa antiga, motivo pelo qual o texto apresenta diferenças em relação ao português corrente no Brasil.

Prof. Paulo Renato da Silva.

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