sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Greve Trabalhista de 1958 no Paraguai.


Jornal A Pátria, de 28 de agosto de 1958, onde são evidenciados os feitos repressivos do regime de Stroessner após a greve trabalhista.
(Fonte: Tomo VII - Parte 1 da Comisión de Verdad y Justicia. Disponível em: http://www.verdadyjusticia-dp.gov.py/Informe%20PDF%20Web/Tomo%20VII%20-%20Parte%201.pdf)
O governo de Alfredo Stroessner (1954-1989) contou, inicialmente, com o apoio dos setores políticos e militares do país, com a promessa de reconstrução e estabilidade política. A maioria dos estudos destaca a participação destes, juntamente com o setor intelectualizado da sociedade (jornalistas, estudantes, intelectuais), como colaboradores ou como principais atores no processo de consolidação do regime. A participação dos setores populares não é muito lembrada.
O primeiro movimento popular na história do regime ocorreu em 1958, quando trabalhadores iniciaram uma greve geral, descontentes com os planos econômicos criados pelo governo. Em agosto de 1958 a Confederación Paraguaya de Trabajadores (CPT) solicitou o aumento do salário mínimo em 29,5%. O movimento foi organizado, principalmente, pelos trabalhadores da indústria têxtil e de transporte que geravam grande mão-de-obra. Inicialmente o governo não negociou com os dirigentes sindicais, entretanto, o Conselho de Coordenação Econômica concedeu um aumento de apenas 5% no salário mínimo. Enquanto o governo negociava com os dirigentes, órgãos do regime organizavam um plano entre a polícia e as forças armadas para deter os representantes sindicais.
Na noite de 26 de agosto, o governo começa a detenção dos dirigentes sindicais e designa um representante próprio para comandar a CPT. Já no dia seguinte, toda a direção sindical pró-greve da CPT foi presa (cerca de 300 dirigentes em todo o país). O governo intervém e nomeia Enrique Volta Gaona, líder da Organización Republicana Obrera (ORO), criada com a intenção de combater a influência comunista no movimento sindical, como responsável pela CPT.
Com o movimento controlado pelo governo, cerca de mil trabalhadores se escondem no Colegio Monseñor Lasagna. Apesar do apoio inicial do Monsenhor Mena Porta, este permitiu que a polícia invadisse o colégio e tomassem as devidas providências. A Igreja Católica, nesse momento do regime, manteve uma posição neutra. Vale lembrar que na década de 1970, a Igreja Católica tomou uma posição contrária ao regime, adotando o discurso de defesa dos direitos humanos, desempenhando um papel fundamental no processo de redemocratização do Paraguai.
Diante das prisões dos principais sindicalistas e líderes do movimento, a greve acabou. Com o fim do movimento, o regime instituiu uma legislação trabalhista autoritária com severas restrições aos direitos dos trabalhadores e a CPT foi desarticulada e passou a ser dirigida pelo Partido Colorado.
Apesar desse desfecho, a greve ajudou a mostrar o lado autoritário do regime. O direito de greve, antes de 1958, era permitido por lei. O governo de Stroessner mantinha uma fachada democrática diante dos outros países e, principalmente, diante da população paraguaia, com a intenção de consolidar o regime. A população paraguaia só teria conhecimento do autoritarismo do regime em meados da década de 1970, quando surgem os primeiros movimentos sociais contrários ao governo.

Paulo Alves Pereira Júnior - Acadêmico de História pela UNILA.

Nenhum comentário:

Postar um comentário