Pular para o conteúdo principal

Negros, pobres e “violentos”: a construção das “classes perigosas” no Brasil.

Existe a violência e a sensação de insegurança. A forma pejorativa como a sociedade costuma ver determinados sujeitos, grupos e regiões colabora para a sensação de insegurança. Sabemos, por exemplo, qual é a imagem predominante sobre as periferias, principalmente nas grandes cidades. Cabe demonstrar como essas imagens negativas foram construídas historicamente para atender a certos interesses e isentar o Estado e as elites econômicas e políticas de suas responsabilidades.
Na segunda metade do século XIX, o Brasil iniciou um processo gradual de abolição dos escravos. Para os setores mais conservadores da sociedade brasileira, contrários à abolição, o negro “livre” representaria um perigo, pois não seria mais “educado” e vigiado pelos seus senhores. Esses setores começaram, então, a estabelecer uma relação estreita entre negros, pobres e violência. Defendiam que a violência era uma característica “natural” dos negros e dos pobres e não um problema social. Portanto, foi uma imagem construída para impedir a abolição ou para manter negros e pobres sob controle: de um modo geral, podemos dizer que a polícia passou a exercer o papel de controle e repressão que, antes, era dos senhores.
Vale lembrar que, no século XIX, o “racismo científico” também contribuiu para difundir essa imagem sobre os negros.
Prof. Paulo Renato da Silva.

Postagens mais visitadas deste blog

O Islã visto a partir da Tríplice Fronteira

A América Latina recebeu imigrantes de várias regiões do mundo. Entre os asiáticos que se estabeleceram no subcontinente, encontravam-se praticantes do Islã e do budismo, por exemplo. Na região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, há uma quantidade significativa de muçulmanos, sejam eles imigrantes (originários do Oriente Médio, principalmente do Líbano), brasileiros, paraguaios e argentinos descendentes de imigrantes muçulmanos e, ainda, brasileiros, paraguaios e argentinos que aderiram à religião. No post de hoje, recomendamos dois documentários que abordam a vivência do Islã no Brasil, de modo geral, e em nossa região, de modo específico. O primeiro deles é “Retratos de Fé: Islã”, produzido pela TV Brasil, como parte de uma série que pretende abordar a diversidade religiosa brasileira. Aborda os princípios da religião e as experiências de muçulmanos de Foz do Iguaçu e São Paulo, as duas cidades do País com a maior concentração de seguidores da mensagem do Prof...

A "Primavera dos Povos" na Era do Capital: historiografia e imagens das revoluções de 1848

  Segundo a leitura de Eric J. Hobsbawm em A Era do Capital , a Primavera dos Povos foi uma série de eventos gerados por movimentos revolucionários (liberais; nacionalista e socialistas) que eclodiram quase que simultaneamente pela Europa no ano de 1848, possuindo em comum um estilo e sentimento marcados por uma atmosfera romântico-utópica influenciada pela Revolução Francesa (1789). No início de 1848 a ideia de que revolução social estava por acontecer era iminente entre uma parcela dos pensadores contemporâneos e pode-se dizer que a velocidade das trocas de informações impulsionou o processo revolucionário na Europa, pois nunca houvera antes uma revolução que tivesse se espalhado de modo tão rápido e amplo. Com a monarquia francesa derrubada pela insurreição e a república proclamada no dia 24 de fevereiro, a revolução europeia foi iniciada. Por volta de 2 de março, a revolução havia chegado ao sudoeste alemão; em 6 de março a Bavária, 11 de março Berlim, 13 de março Viena, ...