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Negros, pobres e “violentos”: a construção das “classes perigosas” no Brasil.

Existe a violência e a sensação de insegurança. A forma pejorativa como a sociedade costuma ver determinados sujeitos, grupos e regiões colabora para a sensação de insegurança. Sabemos, por exemplo, qual é a imagem predominante sobre as periferias, principalmente nas grandes cidades. Cabe demonstrar como essas imagens negativas foram construídas historicamente para atender a certos interesses e isentar o Estado e as elites econômicas e políticas de suas responsabilidades.
Na segunda metade do século XIX, o Brasil iniciou um processo gradual de abolição dos escravos. Para os setores mais conservadores da sociedade brasileira, contrários à abolição, o negro “livre” representaria um perigo, pois não seria mais “educado” e vigiado pelos seus senhores. Esses setores começaram, então, a estabelecer uma relação estreita entre negros, pobres e violência. Defendiam que a violência era uma característica “natural” dos negros e dos pobres e não um problema social. Portanto, foi uma imagem construída para impedir a abolição ou para manter negros e pobres sob controle: de um modo geral, podemos dizer que a polícia passou a exercer o papel de controle e repressão que, antes, era dos senhores.
Vale lembrar que, no século XIX, o “racismo científico” também contribuiu para difundir essa imagem sobre os negros.
Prof. Paulo Renato da Silva.

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