segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Cuba e a política cultural durante a Revolução.



A Revolução cubana iniciada em 1959 trouxe consigo um legado de desenvolvimento e políticas sociais, entre elas o combate ao analfabetismo, a nacionalização de empresas e a reforma agrária. Essas políticas foram implementadas com base nas necessidades da população, a fim de promover o desenvolvimento da ilha e “desfazer-se” da exploração e dominação norte americana.
Inicialmente a Revolução não apresentava um alinhamento com um modelo de política socialista. Os líderes Fidel Castro e Che Guevara, a princípio, não se identificavam com os interesses do Partido Socialista Cubano. Porém, os acordos firmados entre Cuba e URSS, devido ao bloqueio econômico norte americano no início dos anos 1960, levaram Cuba a um maior enquadramento nas diretrizes soviéticas e os membros do PSC passam a ter maior espaço na condução do governo, tanto nas questões políticas como nas culturais.
No campo cultural, o governo propunha que os intelectuais fossem engajados na causa revolucionária, comprometendo-se com os ideais da Revolução, de modo que a produção cultural privilegiasse o processo revolucionário. Porém, nem toda a classe intelectual era favorável aos rumos que a Revolução estava tomando. Algumas publicações, apesar de apoiarem a causa revolucionária, não concordavam com as interferências do governo, que tentava criar a “verdadeira cultura cubana” a partir realismo socialista. O realismo socialista foi um modelo estético artístico que vigorou na URSS de 1930 a 1960, o qual impunha um modelo estético que retratasse a vida das classes médias e baixas, não dando espaço para outras manifestações artísticas que não fossem alinhadas com essa estética.
Alguns intelectuais, apesar de apoiarem a Revolução, defendiam que a arte e o pensamento revolucionários deveriam ir além do realismo socialista e também dialogar com a cultura universal e suas vanguardas. Já o governo alegava que as vanguardas eram estrangeirismos que não representavam a classe trabalhadora, sendo uma arte voltada para a burguesia.
Esse impasse foi “resolvido” em junho de 1961, quando Fidel Castro definiu os direitos e os deveres dos intelectuais cubanos, salientando que as criações deveriam ser subordinadas à Revolução e ao “povo”, valorizando a cultura nacional e não havendo espaço para expressões de vanguarda e arte abstrata.

Bibliografia consultada:
MISKULIN, Silvia Cezar. Cultura Ilhada: imprensa e Revolução Cubana (1959-1961). São Paulo: Xamã, 2003.

Ellen Vieira dos Santos – estudante do curso de História – América Latina da UNILA.

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