domingo, 27 de março de 2016

Museo del Barro – Asunción, Paraguay.

A preocupação em estabelecer uma casa permanente para uma coleção até então itinerante está na origem do Museo del Barro, localizado próximo à Avenida Aviadores del Chaco, em Asunción, capital do Paraguai. Em 1972, os artistas Olga Blinder (1921-2008) e Carlos Colombino (1937-2013) criaram a “Colección Circulante”, composta inicialmente por desenhos e gravuras, um acervo que expunham em instituições educativas e espaços públicos. Blinder e Colombino transitavam por várias formas de arte, como pintura, escultura e escrita, além de ser a primeira educadora, e o segundo, arquiteto. A ampliação do escopo de sua coleção, ao incluir pinturas, objetos, esculturas e instalações, levou seus organizadores a buscarem um espaço fixo.
A primeira edificação (projetada por Colombino) começou a ser construída em 1979. De 1980 a 1983 o museu esteve em San Lorenzo, passando a Asunción neste último ano. A partir de 1988, instalou-se definitivamente no Centro de Artes Visuales (CAV), no bairro de Isla de Francia, na capital paraguaia. O museu teve dificuldades para se formar nos anos 1970 e 1980, últimas décadas da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989), de pouco apoio à cultura e perseguição a artistas. Logo após o fim da ditadura, o museu recebeu apoio do escritor paraguaio Augusto Roa Bastos (1917-2005), amigo de Carlos Colombino e do curador, professor e crítico de arte Ticio Escobar (1947-), um dos principais responsáveis pela seção de arte indígena do museu. Roa Bastos ganhou o Prêmio Cervantes em 1990, e fez incluir o “Museo del Barro” na agenda de visita dos reis da Espanha a Asunción em outubro de 1990. Pós-Stroessner, o museu ainda sofreu com um tornado, que destruiu parte de suas instalações e obrigou-o a um fechamento por dois anos, entre 1993 e 1995.
O “Museo del Barro” abriga uma rica coleção de cerâmica popular, em especial Ita e Tobatí (denominações que remetem às localidades de origem da produção), além do “Museo Paraguayo de Arte Contemporáneo” e do “Museo de Arte Indígena”, com mais de 1750 peças fabricadas por membros dos variados grupos étnicos do Paraguai. Quase 90% do acervo de peças indígenas foi adquirido por Ticio Escobar.
Além dos acervos permanentes, o museu abriga exposições temporárias, como “El sueño de una noche de verano”, da artista Nury González. A exposição, que esteve aberta ao público entre novembro e dezembro de 2015, teve como mote os 40 anos do acordo que instituiu a “Operação Condor” no Cone Sul, uma cooperação entre as ditaduras de Argentina, Brasil, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai para captura, tortura e execução de opositores políticos desses regimes, operação que vitimou dezenas de milhares. A artista Nury González produziu, nesse tema, um conjunto de obras tratando das questões do exílio e do desaparecimento, utilizando-se, por exemplo, da figura do “fio” (“el hilo”) para tratar das trajetórias perdidas e violentamente interrompidas naquele contexto. Alunos e professores do curso de História da UNILA puderam visitar essa exposição, além do acervo permanente do museu, em saída de campo realizada em novembro de 2015.


Entrada do Museo del Barro. Foto: Profa. Rosangela de Jesus Silva


Acervo do Museo del Barro. Foto: Profa. Rosangela de Jesus Silva



Acervo do Museo del Barro. Foto: Profa. Rosangela de Jesus Silva 


Professores e estudantes da UNILA em visita ao Museo del Barro. Foto: Profa. Rosangela de Jesus Silva

O site do “Museo del Barro” possui informações sobre sua história, acervos e calendário de exposições (http://www.museodelbarro.org/). O museu possui também um blog: http://www.museodelbarro.org/blog.

            
Prof. Pedro Afonso Cristovão dos Santos.

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