quarta-feira, 25 de maio de 2016

O dia 25 de maio na Argentina – Apropriações e simbolismos

O dia 25 de maio de 1810 tornou-se a data simbólica da Independência argentina. O processo de separação política da Espanha se consolidaria quase dez anos depois, apenas, mas a data que marca a constituição da primeira junta de governo das províncias do rio da Prata assumiu o lugar simbólico de referência para a Independência do país, sendo celebrada anualmente. Como ocorreu em outras ditaduras latino-americanas, também a ditadura argentina apropriou-se dos “heróis” e datas históricas legadas pelos processos de Independência no século XIX. No vídeo abaixo, vemos Jorge Rafael Videla participando dos festejos em 25 de maio de 1976, cerca de dois meses após o golpe que depôs a presidenta María Estela Martínez de Perón:


A Plaza de Mayo, em Buenos Aires, em frente à Casa Rosada, espaço público dedicado à celebração da Revolução de 25 de maio de 1810, tornar-se-ia o lugar, entretanto, das manifestações de um grupo de mães de desaparecidos políticos que formaria uma das mais corajosas e fortes associações de oposição ao regime militar e sua sistemática violação de direitos humanos: as Madres de Plaza de Mayo. A primeira manifestação ocorreu em 30 de abril de 1977, e teve como uma de suas líderes Azucena Villaflor (1924-1977), cujo filho e nora haviam sido sequestrados por forças do regime. A própria Azucena seria levada em dezembro do mesmo ano, 1977, possivelmente para um dos principais centros de tortura da ditadura argentina, a ESMA (Escuela Superior de Mecánica de la Armada). Seu corpo, juntamente com o de outras duas “mães de Maio”, foi identificado somente em 2005.
Até hoje a Associación Madres de Plaza de Mayo procura identificar o paradeiro de “desaparecidos” do regime, bem como de filhos e filhas de militantes políticos tomadas pelos militares e entregues a outras famílias (esforço realizado pelas “Avós da Plaza de Mayo”). O documentário abaixo conta a história deste importante movimento de luta pelos direitos humanos na América Latina.


Incluímos também o link para o sítio da Associación Madres de Plaza de Mayo:


Prof. Pedro Afonso Cristovão dos Santos

Nenhum comentário:

Postar um comentário