Pular para o conteúdo principal

A 150 anos daquele dia

No dia 12 de setembro de 1866 ocorreu algo que poderia ter mudado a história. Em um lugar conhecido como Yataity Corá, com esse espírito conciliador, o Marechal Francisco Solano López propôs ao comandante aliado Mitre realizar uma entrevista com os representantes dos três exércitos inimigos. Para tal, no entardecer do dia 10 de setembro enviou como emissário, sob a bandeira do parlamento, a seu ajudante de campo Coronel Martínez, que não pôde cumprir sua missão, pois acometido de balas por tropas argentinas.
Uma nova tentativa de conversa se realizou no dia seguinte, 11 de setembro, desta vez com êxito. Dessa maneira, a nota enviada por López foi entregue a Mitre. A mesma dizia:

 “Quartel General em Paso Pucú, 11 de setembro de 1866 – ao Exmo. Sr. Brigadeiro Geral D. Bartolomé Mitre, Presidente da República Argentina, e General em Chefe do Exército Aliado – Tenho a Honra de convidar a V. E. a uma entrevista pessoal entre nossas linhas, no dia e hora que V. E. assinale. – Deus guarde a V. E. – Francisco Solano López.”

Imediatamente recebida a nota, Mitre se dirigiu ao General Polydoro, reunindo-se também com o General Flores. Os chefes aliados se mostraram favoráveis a aceitar uma reunião entre Mitre e López.
A resposta do argentino foi a seguinte:

“Quartel General do Exército Aliado, 11 de setembro de 1866 – Ao Exmo. Sr. Marechal Don Francisco S. López, Presidente da República do Paraguai, e General em Chefe de seu Exército – Tive a honra de receber a comunicação de V. E. datada de hoje, convidando-me a uma entrevista pessoal entre nossas linhas, no dia e hora que se acordasse; e respondendo, devo dizer a V. E. que aceito a entrevista proposta, e me acharei amanhã às 9 da manhã, no ponto de nossas linhas, no Paso de Yataity Corá; levando uma escolta de vinte homens, que deixarei à altura de minhas [tropas] avançadas, adiantando-me pessoalmente no terreno intermediário para o fim indicado, se V. E. se conforma com isso. – Deus guarde a V. E. muitos anos – Bartolomé Mitre.”

No dia 12 de setembro de 1866, cedo pela manhã, do alto de uma carruagem, López marchou ao lugar combinado para a reunião, posteriormente montou em seu cavalo escoltado por 24 ginetes. Mitre concorreu acompanhado de seu Estado Maior e de uma escolta de uma vintena de ginetes. 
Os presidentes conferenciaram durante cinco largas horas, sentados, em cadeiras levadas pela escolta de López, que também levou uma mesinha; horas parados, horas passeando, fumando cigarros... 

Representação do encontro Mitre-López. Fonte: http://www.wikiwand.com/es/Francisco_Solano_L%C3%B3pez

O resultado daquelas largas horas de conversa foi estéril. López não aceitou um acordo de paz sob as bases do tratado de Aliança e resistiu até o final. Terminada a entrevista, López pediu tinta, penas e papel, e ditou a um escrevente... O texto que López ditou pode ser visto em detalhes no seguinte Link: http://www.portalguarani.com/381_julio_cesar_chaves/19964_la_conferencia_de_yataity_cora_1958__resumen_de_julio_cesar_chaves.html

Mariela Raquel Melgarejo López


Tradução: Pedro Afonso Cristovão dos Santos

Postagens mais visitadas deste blog

Após as bombas, haverá um 13? Desabafos de uma venezuelana migrante

            Hoje não tem clareza na minha sala. Deixei fora a luz de um dia ensolarado para me recolher nos cinzas de um dia de ressaca existencial. O corpo doe, o peito interrompe o ar e um zumbido de múltiplas vozes me atordoa. Y talvez nessa densa névoa, carregada de ruido e de emoções sem nome, as palavras que não enxergo aconteçam e me permitam esboçar o andaime que organize o turbilhão de sentimentos, reflexões, pulsões e memórias que me atinge após as notícias que recebi do meu país assim que acordei ontem, bem cedo pela manhã. Eram às 06h quando meu telefone ligou e começaram a chegar centenas de mensagens. No grupo da minha família paterna, as primeiras mensagens foram às 02 horas e pouco da madrugada. Nelas, transparecia a surpresa. Falavam de sons de foguetes, de trovões, de impactos de bomba, de queda de luz. Ninguém entendia nada, e eu menos. Alguns falavam em golpe de Estado, outros em atentado e, aos poucos, começaram a falar em bombard...

A perspectiva na pintura renascentista.

Outra característica da pintura renascentista é o aprimoramento da perspectiva. Vejamos como a Enciclopédia Itaú Cultural Artes Visuais se refere ao tema: “Técnica de representação do espaço tridimensional numa superfície plana, de modo que a imagem obtida se aproxime daquela que se apresenta à visão. Na história da arte, o termo é empregado de modo geral para designar os mais variados tipos de representação da profundidade espacial. Os desenvolvimentos da ótica acompanham a Antigüidade e a Idade Média, ainda que eles não se apliquem, nesses contextos, à representação artística. É no   renascimento   que a pesquisa científica da visão dá lugar a uma ciência da representação, alterando de modo radical o desenho, a pintura e a arquitetura. As conquistas da geometria e da ótica ensinam a projetar objetos em profundidade pela convergência de linhas aparentemente paralelas em um único ponto de fuga. A perspectiva, matematicamente fundamentada, desenvolve-se na Itália dos sécu...