Pular para o conteúdo principal

Filme histórico: fonte histórica e seus tipos, por Gabriel Antônio Butzen

O filme se constitui como um artefato culturas de extremo contato com a sociedade atual. Marc Ferro (1992) diz que todo filme que é produzido em um determinado tempo é uma fonte histórica, que pode ser analisada como tal. Ou seja, analisar o contexto de sua produção, a data que o filme foi realizado e as pessoas que participaram de sua construção. Outros estudos (SOUZA, 2012) também apontam que a narrativa fílmica também é importante para o estudo da história (mais especificamente, do ensino de história). É baseado nesses estudos que podemos classificar os tipos de filmes históricos.
Em resumo, podemos definir três tipos de filmes históricos (SOUZA, 2012):

1.    Filme Histórico que narra um fato histórico.  O filme, nesse caso, tem a intenção de narrar um fato no passado que “realmente aconteceu”, contando a história objetiva do passado.
 

O filme “O Jovem Marx” (2016) é um exemplo de filme que narra um fato histórico (Extraído: http://cinecartaz.publico.pt/Filme/371697_o-jovem-karl-marx. Acesso em: 15/10/2017).

2.    Filme Histórico que recua ao passado. Aqui o filme usa um tempo histórico, uma data, como “pano de fundo” para uma narrativa ficcional do passado. Assim é uma história inventada que se passa em um tempo histórico.


O filme “Pra Frente Brasil!” (1982) é um exemplo de filme que recua no passado para narrar uma história ficcional. (Extraído: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pra_frente,_Brasil. Acesso em: 15/10/2017).

3.    Filme Histórico de “cultura de massa”. Esse filme pode ser tanto um filme histórico ou um filme que recua ao passado, mas sua maior característica é a de estar presente para o “grande público”, como cinemas e televisão. Pois muitos filmes históricos tem a característica de ser “cult”, pertencer a um grupo mais fechado de espectadores.

O filme “Dunkirk” (2017) pode ser caracterizado como filme histórico de fato histórico, mas teve relativo sucesso e foi exibido nos cinemas, podendo ser também um filme de “cultura de massa”. (Extraído: http://www.imdb.com/title/tt5013056/. Acesso em: 15/10/2017).

Saber a diferença entre esses tipos de filmes abre um leque maior de possibilidades de estudos históricos com essas fontes históricas. Um exemplo é como uma determinada sociedade do passado lidava com filmes históricos, qual tipo de filme essa sociedade mais assistia? Ou no ensino de história e filmes, analisando qual a recepção dos estudantes de um filme histórico em comparação com outros tipos de fontes históricas (como livros, imagens, esculturas). Saber essas categorias pode contribuir para a pesquisa acadêmica.

Referências:

FERRO, Marc. Cinema e História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
SOUZA, Éder C. de. O Uso do Cinema no Ensino de História: Propostas Recorrentes, Dimensões Teóricas e Perspectivas da Educação Histórica. Escritas. Araguaiana, v.4, p.70-93, mar. 2012.


Autor: Gabriel Antônio Butzen, estudante de História – Licenciatura – UNILA.

Revisão: Pedro Afonso Cristovão dos Santos

Postagens mais visitadas deste blog

Histórias transnacionais, História Global e História-mundo: conexões pela história

A partir do final do século XX, uma parcela dos historiadores, de diferentes origens, passou a questionar a predominância de uma perspectiva nacionalista da história. A compreensão dos Estados nacionais como unidades quase naturais (ou, ao menos, essencializadas) dos processos históricos, percepção que remonta à disciplinarização da História no século XIX, passou a ser contestada, tendo em vista os eventos históricos que marcaram a mudança para o nosso século. A mundialização, ou globalização, a formação de blocos transnacionais como a União Europeia e o Mercosul estão entre os eventos que formaram esse contexto de questionamento ao paradigma nacionalista. Em um movimento muito articulado aos estudos latino-americanistas, como apontou Barbara Weinstein (2013), os historiadores do outrora chamado “Terceiro Mundo”, em especial a partir das décadas de 1980 e 1990, puseram em dúvida sobretudo a ausência de protagonismo de suas regiões nas narrativas históricas. América Latina, África, Ási...

O núcleo integralista de Foz do Iguaçu (1935-1937)

MONTEIRO, Diego. O sigma nas cataratas: o Integralismo em Foz do Iguaçu (1935-1955). Epígrafe , São Paulo, v. 14, n. 2, p. 338–368, 2025. A Ação Integralista Brasileira (AIB) foi bastante presente no contexto paranaense. O ano de 1935 marcou um momento de fortalecimento, visto que, de  acordo com Rafael Athaides, além da capital do estado, Curitiba, mais regiões iniciaram a instalação e subsequente consolidação de seus próprios núcleos, sendo elas: o Litoral, o Sul, o Centro, o Norte e o extremo Oeste paranaenses (ATHAIDES, 2011, p. 16). O Oeste paranaense era considerado pelos integralistas da província paranaense como um lugar selvagem e isolado, porém de grande importância para que o movimento se tornasse presente desde o Oceano Atlântico até a fronteira do estado com Argentina e Paraguai (ATHAIDES, 2012, p. 129-130). A ideia de um extremo-oeste “remoto” e “vazio” não era exclusiva aos integralistas, pois, segundo Liliane da Costa Freitag (2007), o Estado brasileiro também consi...