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Hino da França: o “outro” como elemento da formação dos Estados e das identidades nacionais.

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O processo de formação dos Estados e das identidades nacionais não se dá apenas internamente. A construção de elos entre os membros de uma “comunidade imaginada” também acontece a partir de processos externos, os quais criam oposições em relação a “outros”, tornados estrangeiros. Um exemplo interessante é o Hino da França, que tem a guerra - civil e externa - como um elemento central. O hino surgiu em meio aos confrontos da Revolução Francesa: Prof. Paulo Renato da Silva.

Hino da Argentina e a formação da "comunidade imaginada".

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Os hinos são representativos dos processos de formação dos Estados e das identidades nacionais. Neles é interessante analisar como são representados os membros da “comunidade imaginada”, como Benedict Anderson se refere aos Estados nacionais. A seguir, vejamos sublinhados os adjetivos e valores atribuídos aos argentinos em seu hino: Oid ¡mortales! Oid ¡mortales! e grito sagrado : ¡ Libertad , Libertad, Libertad! Oid el ruido de rotas cadenas: Ved en trono a la noble Igualdad . ¡Ya su trono dignísimo abrieron Las provincias unidas del Sud! Y los libres del mundo responden: ¡Al Gran Pueblo Argentino Salud ! ¡Al Gran Pueblo Argentino Salud! ¡Al Gran Pueblo Argentino Salud! Sean Eternos Los Laureles Que Supimos Conseguir Que Supimos Conseguir Coronados de Gloria Vivamos O Juremos con Gloria Morir O Juremos con Gloria Morir O Juremos con Gloria Morir Prof. Paulo Renato da Silva.

O Tempo na Tradição Judaico-Cristã.

Na passagem a seguir, Le Goff destaca que uma das principais novidades introduzidas pela tradição judaico-cristã foi uma concepção linear de tempo, a qual, resumidamente, começaria em Adão e terminaria com o fim do mundo. No entanto, o autor ressalta como as antigas concepções cíclicas permanecem, o que poderia ser observado, por exemplo, nas inúmeras tentativas, durante a Idade Média, de se resgatar as origens supostamente puras da Igreja Católica: “A tradição judaico-cristã apresenta também características originais. Podemos defini-las sumariamente pelos seguintes aspectos: a Idade do Ouro primitiva tem os traços peculiares do Paraíso. Se no cristianismo medieval há uma certa crença na sobrevivência de um paraíso terrestre, a escatologia cristã divide-se entre a espera – para os eleitos – de um paraíso celeste e, na terra, antes do fim do mundo, a espera de uma idade feliz ou Milênio (...). De um modo geral, sendo o tempo judaico-cristão linear, não há crenças num retorno à Idade de ...

Carr e o Sentido da História na Antiguidade.

No trecho a seguir, E. H. Carr explora o sentido da História na Antiguidade, ou a inexistência dele: “Tal como as antigas civilizações da Ásia, a civilização clássica greco-romana era basicamente desprovida do sentido da história. (...) Heródoto como pai da história teve poucos continuadores; e os escritores da Antiguidade Clássica, de um modo geral, não se preocuparam muito nem com o futuro nem com o passado. Tucídides acreditava que nada de significativo tinha ocorrido anteriormente aos acontecimentos por ele narrados, e que não era provável que acontecesse algo de importante posteriormente. Lucrécio inferiu a indiferença do homem em relação ao futuro da sua insensibilidade relativamente ao passado: “Considerem o modo como épocas passadas de tempo eterno, anteriores ao nosso nascimento, não constituíram assunto de nosso interesse. Isto é um espelho que a natureza nos coloca à frente, relativo ao tempo futuro posterior à nossa morte.” As visões poéticas de um futuro melhor tomavam a f...

Heródoto e Homero.

No texto a seguir, Víctor de Lama de la Cruz estabelece diferenças entre Heródoto e Homero: “La Ilíada presentaba la guerra entre el pueblo griego y un pueblo asiático, el troyano, que tras una acción muy compleja se polariza entre Aquiles y Héctor. También Herodoto nos va a relatar el enfrentamiento entre griegos y asiáticos, un enfrentamiento secular que culmina en las Guerras Médicas. El historiador conoce la Ilíada y menciona el rapto de Helena por Paris – Alejandro en la obra de Herodoto – y las rivalidades seculares entre griegos y persas como factor desencadenante de las Guerras Médicas. Algunos comentaristas griegos, Aristóteles entre ellos, asimilaban Herodoto a Homero al calificarlo de “mithólogo” debido a la incorporación de leyendas en sus relatos. Sin embargo, hay unas diferencias muy claras entre el autor de la Ilíada y Herodoto que han sido muy bien perfiladas por Rodríguez Adrados: - Los poemas homéricos están en verso, mientras las Historias de Herodoto están en prosa;...

Heródoto e Tucídides.

Tucídides e Heródoto foram contemporâneos. O primeiro era mais jovem do que o segundo e apresentou algumas diferenças em relação ao “pai da História”, como indica Antonio Mitre no trecho a seguir: “Inicialmente, a memória articula-se positivamente à tradição oral, e o critério de veracidade não se distancia de seus domínios, como pode verificar-se em Heródoto. Com a invenção e difusão da escrita, a Terra inteira transforma-se em uma superfície onde se inscreve a lembrança, provocando, entre outras coisas, mudanças na hierarquia dos sentidos: a vista ganha status, associando-se à idéia de verdade, e o ouvido passa a filiar-se ao enganoso canto das sereias. Logo surgirá o interrogante sobre a eficácia da palavra alada para preservar a lembranças dos acontecimentos. Para Tucídides, a memória oral, transmitida de boca em boca, afasta-se do logos e, propensa ao relato deslumbrante mas caótico, distorce o passado, enquanto a “imutabilidade do escrito é uma garantia de fidelidade”. (MITRE, An...

Heródoto e a História.

Vejamos o que Pedro Paulo Abreu Funari e Glaydson José da Silva nos dizem sobre aquele que, na Idade Moderna, passou a ser considerado “pai da História”. O parágrafo a seguir é de Heródoto e os demais são comentários dos dois autores: ““Aqui está a exposição das pesquisas de Heródoto de Halicarnasso, para que as obras dos homens não sejam esquecidas, com o tempo, nem as grandes e maravilhosas façanhas realizadas tanto por gregos como por bárbaros fiquem sem glória e para mostrar as causas dos conflitos.” Nessas primeiras palavras, temos todo um programa do que seja a tarefa do historiador. Em primeiro lugar, trata-se de um relato, uma estória, uma exposição, primeiro oral e só depois escrita. Heródoto atravessou o mundo, a recolher e ver, com os próprios olhos e a ouvir com as próprias orelhas, relatando essas experiências em praça pública. Havia, desde o início, uma função pública e literária dessas leituras, que deviam tanto entreter o público como falar aos sentimentos das pessoas. ...