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CineDebate, Ciclo Luz, Câmera, Animação: “Valsa com Bashir”.

Quem ou o que pode determinar, na vida de alguém, o momento em que certas indagações o incomodarão e o impulsionarão à busca de um episódio importante na sua vida que ficou esquecido no seu passado? Como essas indagações surgirão e que meios poderão ser usados para despertar tal desejo de respostas? Uma lembrança talvez? E, aliás, qual o significado de todas essas perturbações e em que elas resultarão? Será que vale a pena mesmo dar tanta importância a uma imagem que vem a sua cabeça (mesmo que venha constantemente) e empreender uma busca por respostas e significados ou simplesmente deixar-se acreditar que tudo isso não passa de imaginação, uma criação da mente?
Para Ari Folman, protagonista da animação israelense “Valsa com Bashir”, que aborda a guerra do Líbano de 1982 e o massacre dos campos de refúgio palestinos Sabra e Chatila, foi um encontro com um velho amigo seu que marcou o início desse momento de reconstituição de sua memória na busca por respostas sobre aquele terrível evento que dizimou cerca de 3000 pessoas nos abrigos palestinos. Até aquele momento não tinha nenhuma lembrança importante da data, mas após a conversa naquela madrugada com o amigo as coisas haviam mudado muito; aquela imagem sua na noite do massacre não saía mais da sua cabeça. Mas que significado ela teria?
Depois daquele encontro Ari passa a buscar relatos de vários antigos companheiros que lutaram com ele no exército israelense naquele ano na guerra no Líbano. Queria que alguém lhe contasse algo sobre a noite do massacre, se ele estava lá e, se sim, que participação tivera. No entanto, todos os seus conhecidos inicialmente só tinham lembranças muito vagas sobre o episódio e, apesar de estarem instalados no Líbano naquela noite em que as falanges cristãs vitimaram milhares de palestinos, quase nada tinham a dizer sobre o massacre e aquela cena que lhe vinha à cabeça constantemente. Até parecia que o exército israelense não estava tão perto na data em que tudo ocorreu. Só depois de muitos depoimentos, aos poucos, as histórias foram se encaixando como um quebra-cabeça e trazendo imagens reveladoras a Ari: o ataque à Sabra e Chatila ocorreu sim; estivera lá naquele dia...Mas como não fizera nada para, ao menos, tentar evitar o massacre? Por que agiu como todos os demais companheiros que fingiram não ver nada e apenas olhou tudo ocorrer? Por quê? Talvez assim se perguntava Ari Folman, mesmo já imaginada a resposta, quando resolveu dirigir o filme. “Por quê?”’perguntava o protagonista da animação quando, no final, com tristeza, olhava fixamente naqueles que, com grande dor, se aproximavam para chorar os seus mortos. Ficção e realidade se misturam, portanto, nesta animação envolvente.
Não percam a próxima sessão do ciclo neste sábado, dia 22, às 15:00, na Moradia 1. A animação a ser exibida será Velho Mar.
Francisco Leandro de Oliveira – Acadêmico de Letras da UNILA.

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