Pular para o conteúdo principal

Conquista, Povos Originários e Historiografia: Miguel León-Portilla.

A Visão dos Vencidos: a tragédia da conquista narrada pelos astecas, livro publicado em 1959 pelo antropólogo e historiador mexicano Miguel León-Portilla, apresenta uma História da conquista do México por Hernán Cortés a partir de testemunhos indígenas, como o poema anônimo de Tlatelolco postado ontem.
Trata-se de um exemplo da chamada “História dos Vencidos” ou ainda da “História Vista de Baixo”, dentre outras denominações possíveis. Ao enfocar os relatos indígenas, o autor ressalta a violência da conquista e colabora para desfazer alguns mitos como o de nossa mestiçagem, a qual, por vezes, transmite a imagem de que a formação da América Latina foi harmônica.
Para encerrar, vejamos um testemunho de "A Matança de Cholula" presente no livro: “De sua parte, as pessoas simples ficam apenas tomadas pelo medo. Não fazem mais do que se sentir desesperados. É como se a terra tremesse, como se a terra rodopiasse ao redor dos seus olhos. (...). Tudo era um assombro.” (apud LEÓN-PORTILLA, Miguel. A Visão dos Vencidos: a tragédia da conquista narrada pelos astecas. Porto Alegre: L&PM, 1985. p. 56).
Na próxima postagem começaremos a apresentar as críticas à perspectiva de León-Portilla.
Prof. Paulo Renato da Silva.

Postagens mais visitadas deste blog

Histórias transnacionais, História Global e História-mundo: conexões pela história

A partir do final do século XX, uma parcela dos historiadores, de diferentes origens, passou a questionar a predominância de uma perspectiva nacionalista da história. A compreensão dos Estados nacionais como unidades quase naturais (ou, ao menos, essencializadas) dos processos históricos, percepção que remonta à disciplinarização da História no século XIX, passou a ser contestada, tendo em vista os eventos históricos que marcaram a mudança para o nosso século. A mundialização, ou globalização, a formação de blocos transnacionais como a União Europeia e o Mercosul estão entre os eventos que formaram esse contexto de questionamento ao paradigma nacionalista. Em um movimento muito articulado aos estudos latino-americanistas, como apontou Barbara Weinstein (2013), os historiadores do outrora chamado “Terceiro Mundo”, em especial a partir das décadas de 1980 e 1990, puseram em dúvida sobretudo a ausência de protagonismo de suas regiões nas narrativas históricas. América Latina, África, Ási...

O núcleo integralista de Foz do Iguaçu (1935-1937)

MONTEIRO, Diego. O sigma nas cataratas: o Integralismo em Foz do Iguaçu (1935-1955). Epígrafe , São Paulo, v. 14, n. 2, p. 338–368, 2025. A Ação Integralista Brasileira (AIB) foi bastante presente no contexto paranaense. O ano de 1935 marcou um momento de fortalecimento, visto que, de  acordo com Rafael Athaides, além da capital do estado, Curitiba, mais regiões iniciaram a instalação e subsequente consolidação de seus próprios núcleos, sendo elas: o Litoral, o Sul, o Centro, o Norte e o extremo Oeste paranaenses (ATHAIDES, 2011, p. 16). O Oeste paranaense era considerado pelos integralistas da província paranaense como um lugar selvagem e isolado, porém de grande importância para que o movimento se tornasse presente desde o Oceano Atlântico até a fronteira do estado com Argentina e Paraguai (ATHAIDES, 2012, p. 129-130). A ideia de um extremo-oeste “remoto” e “vazio” não era exclusiva aos integralistas, pois, segundo Liliane da Costa Freitag (2007), o Estado brasileiro também consi...