“BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO”: JUSTIÇA, VIOLÊNCIA E O OFÍCIO DO CARRASCO NA PRIMEIRA MODERNIDADE (XV-XVIII)
A figura do carrasco ocupava uma posição ambígua nas sociedades europeias da “primeira modernidade”, fase de transição gradual situada entre o declínio das estruturas feudais medievais e as profundas transformações políticas e sociais associadas à Revolução Francesa. Apesar de desempenhar função essencial na aplicação da justiça régia e na preservação da ordem pública, o executor permanecia vinculado à desonra e à exclusão social. Sua atuação tornava perceptível o caráter coercitivo do poder estatal, evidenciando diante da população os limites entre a autoridade legítima e a criminalidade. O crescente interesse historiográfico pelas práticas punitivas e pela história da violência contribuiu para ampliar os estudos acerca destas temáticas até então periféricas. Obras como Carrascos de Paris: a dinastia dos Sanson , de Bernard Lecherbonnier (1942-), e Hangmen of England , de Brian Bailey (1936-2025), ambas publicadas em 1989, contribuíram para deslo...