Pular para o conteúdo principal

Postagens

"Materiais educativos, uma experiência de produção e aplicação no contexto boliviano''

No dia 29 de agosto de 2017  a disciplina de Tópicos Especiais em Estudos Culturais , ministrada pela professora Mirian Oliveira do curso de História - América Latina, realizou uma aula aberta com o professor Leonardo Martinez, professor visitante do curso de Antropologia da UNILA, com o tema: "Materiais educativos, uma experiência de produção e aplicação no contexto boliviano''.  O professor Leonardo apresentou uma proposta inovadora no campo da educação, em um projeto interdisciplinar que focava a produção de materiais didáticos para alunos de escolas públicas na Bolívia. O material contava com recursos variados, desde diferentes mídias, testemunhos em áudio, vídeo clipes, textos e fotografias. A metodologia aplicada a este recurso contava com três estágios com uma pré-produção com consultas bibliográficas, visitas preliminares às comunidades, a produção com a realização de entrevistas, gravações e fotografias e a pós-produção com transcrições e traduções. Os materi...

Sem nome! Porque algo sem nome não tem um dono

As linhas a seguir foram tecidas em prol de um trabalho acadêmico para a disciplina Eurocentrismo e Colonialidade, ministrada pelo o professor Gerson Ledezma no segundo semestre do ano de 2016, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana. Trabalho esse que visava quebrar de certo modo os moldes engessados do mundo universitário, pois os estudantes poderiam optar em desenvolver artigos, ensaios possibilitando até manifestações artísticas, como no meu caso que de modo sintético, optei em me expressar por um viés poético a partir dos conteúdos debatidos em sala e reflexões que a disciplina me permitiu. Sem nome! Porque algo sem nome não tem um dono. Atualmente o capitalismo está apático, Depois da colonização Europeus e seu sistema hierárquico. Colonialidade do ser e do saber Tudo farinha do mesmo saco. Sob as entranhas da ganância, Banhada a ouro e temperada de arrogância. Atacaram a Síria responderam com terror na França. Em 1998 ergueram do mundo a...

"Foi uma experiência única": entrevista com Ariana Mara da Silva, bacharel em História – América Latina pela UNILA

Nessa semana de mobilizações em torno do projeto da UNILA, trazemos ao blog um pouco da experiência de nosso curso de História pelo olhar de Ariana Mara da Silva, formada no curso em 2016. Atualmente na pós-graduação da Universidade Federal da Bahia, Ariana conta sua visão do que a UNILA proporcionou de único em sua formação, descrevendo ainda a pesquisa que realiza atualmente no mestrado, sobre mulheres lésbicas negras artistas de rap na América Latina, também marcada por estudos iniciados na UNILA. A entrevista foi realizada por Alexandre Araújo de Sousa, bolsista de extensão do blog. Quando você entrou no curso de História – América Latina da UNILA? E porque escolheu a UNILA? Ariana Mara da Silva: Eu entrei na UNILA em 2011. O nome do curso ainda era “História e Direitos Humanos na América Latina” e eu recém tinha saído do curso de Relações Internacionais em uma universidade privada da minha cidade. Nessa universidade anterior eu tive uma professora formada pelo PROL...

O passado e a história

Marc Bloch já advertira, em Apologia da História, ou, O Ofício do Historiador , que os historiadores não estudam o passado. Estudam, sim, os homens “no tempo”. No entanto, o passado, enquanto objeto e constante presença, compõe parte importante das preocupações dos historiadores. Pensar sobre o que é passado tem feito historiadores e teóricos da história observarem que convivemos com diferentes “passados”, ou diferentes visões sobre os mesmos. No romance inglês The Go-between , de L. P. Hartley, publicado em 1953, há uma frase que se tornou emblemática de uma forma específica de enxergar o passado: “O passado é um país estrangeiro; eles fazem as coisas de forma diferente lá” (“The past is a foreign country; they do things differently there”). Nessa visão, o passado é estranho , é diferente do nosso presente, e esse gesto de marcar uma diferença entre nós (hoje) e eles (ontem) seria inaugural do pensamento histórico. Separamos uma parte da realidade, a denominamos passado , e nos ded...

A preservação de arquivos digitais

Comentamos, no post “A formação e preservação de arquivos e a escrita da história”, projeto de lei no Brasil que prevê a destruição de documentos após sua digitalização. A proposta sugere noção de segurança a respeito dos arquivos digitais que, no entanto, ainda está longe de ser realidade. O registro em forma digital não possui, por ora, a garantia de longevidade que poderíamos esperar. Incêndios, roubos, deterioração, podem destruir papéis e documentos físicos; mas outros tipos de perigo cercam os documentos digitais, e sua preservação para o futuro permanece questão complexa para arquivistas e historiadores. Os arquivos digitalizados e os arquivos já “nascidos” digitais, como e-mails, vêm colocando problemas a esses especialistas quanto à sua preservação desde os anos 1980 e 1990. A fragilidade desses registros se destaca: um livro antigo pode ter uma parte danificada (algumas páginas, por exemplo), enquanto arquivos digitais, em muitos casos, quando são danificados, se perdem po...

Dos arquivos do blog: “A Universidade Latino-Americana: suas possibilidades e responsabilidades”

No contexto dos debates atuais a respeito da UNILA, retomamos uma das postagens mais lidas de nosso blog, publicada em dezembro do ano passado: "A Universidade Latino-Americana: suas possibilidades e responsabilidades", em português e espanhol. A atualidade de uma discussão com (pelo menos) mais de cinquenta anos nos surpreende e inspira. Confiram o texto em português: http://unilahistoria.blogspot.com.br/2016/12/a-universidade-latino-americana-suas.html E em espanhol: http://unilahistoria.blogspot.com.br/2016/12/la-universidad-latino-americana-sus.html A América invertida, do artista uruguaio Joaquín Torres Garcia (1874-1949), de 1943 (imagem extraída de http://semiedu2013.blogspot.com.br/2013/04/nuestro-norte-es-el-sur.html, acesso em 21 de julho de 2017) Prof. Pedro Afonso Cristovão dos Santos

A formação e preservação de arquivos e a escrita da história

Segundo Michel de Certeau, “Em história, tudo começa com o gesto de selecionar , de reunir, de, dessa forma, transformar em ‘documentos’ determinados objetos distribuídos de outra forma”. Essa tarefa consiste em “ produzir tais documentos”, “em ‘isolar’ um corpo”, formando uma “coleção” (CERTEAU, 1976, p. 30, grifos no original). Para Certeau, o primeiro ato do que chama de operação histórica , a produção do conhecimento em história, é a formação de um conjunto de fontes por parte do historiador. Certeau compreende que o historiador “produz” suas fontes porque estas não existem em si; isto é, um registro do passado, um artefato, não é por si só uma fonte para o historiador. Depende do gesto deste último, que retira os artefatos de seu circuito original, separa-os e denomina-os arquivos . Seus questionamentos farão o arquivo falar , constituindo-os com fontes para o problema que move a pesquisa do historiador. Indo além da prática de historiadores, em particular, como podemos pensa...