Pular para o conteúdo principal

Monumento a Colombo gera polêmica em Buenos Aires.

Em Buenos Aires, atrás da Casa Rosada, sede do governo argentino, há um monumento a Cristovão Colombo, o “descobridor” da América.
O governo nacional deseja retirar o monumento do local e mudá-lo para Mar del Plata, cidade litorânea ao sul da capital argentina. No local do atual monumento, o governo da presidenta Cristina Kirchner pretende colocar um em homenagem a Juana Azurduy, que lutou na guerra de independência do Vice-Reinado do Prata.
Trata-se, portanto, de uma intensa releitura da história argentina. Afinal, seria trocar um símbolo do hispanismo por um que remete, justamente, à luta contra a Espanha.
Mas nem todos são a favor da mudança. A forte comunidade italiana do país se manifestou contrária. Vale lembrar que Colombo era genovês, de acordo com as versões mais recorrentes.
Além disso, o governo da cidade de Buenos Aires, antikirchnerista, alega que o monumento não pertence ao governo nacional e pretende mantê-lo onde está. O episódio é apenas mais um exemplo de como a memória está diretamente relacionada ao presente, suas demandas e disputas.
Em tempo, o governo boliviano patrocinaria o monumento a Juana Azurduy, que nasceu em La Plata, atual Sucre, na Bolívia.

Foto do Clarin mostra preparativos para a remoção do monumento. Nesta semana, a Justiça proibiu provisoriamente a retirada.

Na terça a prometida segunda postagem sobre Botero.
Prof. Paulo Renato da Silva.

Postagens mais visitadas deste blog

O Islã visto a partir da Tríplice Fronteira

A América Latina recebeu imigrantes de várias regiões do mundo. Entre os asiáticos que se estabeleceram no subcontinente, encontravam-se praticantes do Islã e do budismo, por exemplo. Na região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, há uma quantidade significativa de muçulmanos, sejam eles imigrantes (originários do Oriente Médio, principalmente do Líbano), brasileiros, paraguaios e argentinos descendentes de imigrantes muçulmanos e, ainda, brasileiros, paraguaios e argentinos que aderiram à religião. No post de hoje, recomendamos dois documentários que abordam a vivência do Islã no Brasil, de modo geral, e em nossa região, de modo específico. O primeiro deles é “Retratos de Fé: Islã”, produzido pela TV Brasil, como parte de uma série que pretende abordar a diversidade religiosa brasileira. Aborda os princípios da religião e as experiências de muçulmanos de Foz do Iguaçu e São Paulo, as duas cidades do País com a maior concentração de seguidores da mensagem do Prof...

A "Primavera dos Povos" na Era do Capital: historiografia e imagens das revoluções de 1848

  Segundo a leitura de Eric J. Hobsbawm em A Era do Capital , a Primavera dos Povos foi uma série de eventos gerados por movimentos revolucionários (liberais; nacionalista e socialistas) que eclodiram quase que simultaneamente pela Europa no ano de 1848, possuindo em comum um estilo e sentimento marcados por uma atmosfera romântico-utópica influenciada pela Revolução Francesa (1789). No início de 1848 a ideia de que revolução social estava por acontecer era iminente entre uma parcela dos pensadores contemporâneos e pode-se dizer que a velocidade das trocas de informações impulsionou o processo revolucionário na Europa, pois nunca houvera antes uma revolução que tivesse se espalhado de modo tão rápido e amplo. Com a monarquia francesa derrubada pela insurreição e a república proclamada no dia 24 de fevereiro, a revolução europeia foi iniciada. Por volta de 2 de março, a revolução havia chegado ao sudoeste alemão; em 6 de março a Bavária, 11 de março Berlim, 13 de março Viena, ...