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As Consequências do racismo científico: Tustis e Hutus e o genocidio de 1994 em Ruanda

     Durante o início do século XX, a colonização alemã foi seguida pelo colonialismo belga em Ruanda e introduziu a aplicação do racismo científico, notadamente após a Primeira Guerra Mundial (1914-1919) . Antes da chegada dos colonizadores belgas, os habitantes de Ruanda estavam integrados ao Ubwami bw’u Rwanda (reino de Ruanda).Os colonizadores belgas, ao chegarem em Ruanda se depararam com uma estrutura hierárquica, liderada por um monarca, o Mwami, e estabeleceram um sistema de governo indireto, mobilizando as elites tutsis como intermediários no processo de colonização.      Contudo, os belgas sustentavam a crença na superioridade dos indivíduos tutsis com base na melanina cutânea, uma vez que exibiam uma tez mais clara em comparação aos Hutus, que ostentavam uma pigmentação dérmica mais escura. A morfologia física também foi empregada como critério classificatório e justificativa para a segregação racial. Sob essa perspectiva, tais atributos era...

A CRÍTICA DE RAMÓN GROSFOGUEL E OS CAMINHOS DECOLONIAIS PARA A AMÉRICA LATINA NA NOVA ORDEM GLOBAL

Autoria da imagem: Amy Rollo (unsplash) Localização: Isla del sol Bolívia Link de acesso: https://unsplash.com/pt-br/fotografias/duas-pessoas-em-plataforma-de-concreto-cinza-cercaram-corpo-dagua-NGjDM-XBc-c Os séculos XV e XVI foram marcados, na história europeia, pelo surgimento dos Estados-nação – que substituíram a estrutura medieval – e pela transição do feudalismo para o capitalismo. Inicialmente, esse processo deu origem ao capitalismo comercial (até meados do século XVIII), seguido pelo capitalismo industrial (do final do século XVIII até meados do século XX) e, posteriormente, pelo capitalismo técnico-científico-informacional (do pós-Segunda Guerra Mundial até os dias atuais). Esse período – conhecido como Nova Era, Renascimento ou simplesmente Modernidade – também se destacou pelo surgimento e fortalecimento da burguesia, pela secularização, pelas reformas protestantes e, sobretudo, pelas grandes navegações que culminaram no chamado “descobrimento” do continente americano. ...

DA URBANIZAÇÃO À FAVELIZAÇÃO NA AMÉRICA LATINA: O CASO DO BRASIL E DA VENEZUELA

  Autoria da imagem: Giovanni Ferri (pexels) Localização: Santo André – SP Link de acesso: https://www.pexels.com/pt-br/foto/cidade-meio-urbano-casas-residencias-10224376/     A urbanização é parte essencial da sociedade capitalista. De fato, antes das revoluções industriais na Europa Ocidental, nem mesmo o termo “urbano” era utilizado em seu sentido atual. Harvey (2009) considera o processo urbanístico como uma estratégia para absorver o ‘capital excedente’ gerado pelo capitalismo. Esse capital excedente corresponde à parcela do retorno obtido pelos capitalistas que deve ser reinvestida. Inseridos nessa dinâmica, os capitalistas são constantemente pressionados a decidirem o destino desse ‘ganho extra’ após cada investimento realizado. Trata-se de um círculo vicioso que gera uma relação de dependência entre a organização e o funcionamento das cidades e a circulação do capital excedente. Quando esse capital deixa de ser reinvestido, as sociedades e economias entram em...